Importância das tecnologias de aplicação foi tratada em painel promovido pela Corteva Agriscience na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque

Foto : Camila Cunha
Em um ano de expectativas de crescimento na produção agrícola no Rio Grande do Sul, com colheita de 37,7 milhões de toneladas projetadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o cuidado com o uso de defensivos agrícolas protege a lavoura e auxilia na mitigação da deriva agrícola, principal complicação da pulverização, quando acontece o desvio de partículas de defensivo para outra área, prejudicando a colheita de uma cultura sensível.
As tecnologias de aplicação e as inovações no uso responsável dos defensivos foram tratadas pelo professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Adriano Arrué Melo, em painel promovido nesta quarta-feira pela Corteva Agriscience na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.
O professor conduz um trabalho na universidade, por meio do Grupo de Pesquisa de Manejo Inteligente em Tecnologia de Aplicação (MITA), em conjunto com a Corteva, para auxiliar no controle de defensivos agrícolas usados para o controle de plantas daninhas. Entre as ações, estão treinamentos de boas práticas na aplicação voltados para tecnologia de aplicação terrestre.
Os treinamentos fazem parte das exigências presentes nas Instruções Normativas da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, onde os produtores rurais e aplicadores precisam realizar treinamentos obrigatórios sobre aplicação de herbicidas hormonais.
São dois dias de treinamento, com dois turnos teóricos e dois turnos práticos. Nessas ocasiões, os agricultores aprendem técnicas sobre quais são pontas de pulverização corretas para cada aplicação, como realizar a limpeza dessas pontas, além do momento ideal para realização da troca. O professor explica que os filtros das barras de pulverização, quando não limpos e ponta de pulverização entupida, por exemplo, geram uma dose diferente de aplicação do defensivo, e tudo isso prejudica diretamente na produtividade na lavoura.
“Após os treinamentos, os produtores rurais saem muito mais preparados e qualificados para realizar uma aplicação correta e segura dos defensivos agrícolas”, explica o professor.
Entre as principais tecnologias utilizadas pelos produtores e que auxiliam na redução de deriva, estão as pontas com indução de ar. “São pontas que conseguem produzir uma gota maior, ou seja, menos suscetível à deriva. Dessa maneira, é possível fazer aplicações mais eficientes e com menor risco de contaminação”, explica Melo.
O professor destaca a importância de utilizar os defensivos agrícolas, que evitam a proliferação de plantas daninhas, doenças na semente e outras pragas. “O produtor não usa o defensivo porque gosta, mas porque é realmente necessário”, resume. Basicamente, um solo protegido com a pulverização adequada produz boa colheita e dá lucro ao produtor. Para isso, é necessário buscar novas tecnologias que reduzam os prejuízos. O cuidado é também para que as pragas não atrapalhem as culturas sensíveis.
Atualmente, já são 32 mil produtores habilitados para a aplicação de herbicidas hormonais no Rio Grande do Sul, por meio de treinamentos realizados por diferentes instituições. Melo ressalta, ainda, que não se resolve efeitos de deriva apenas com uma tecnologia, mas sim um conjunto delas. Envolve a data ideal para a aplicação, a umidade relativa do ar, o vento, a temperatura e os materiais mais adequados, como a ponta de pulverização correta, entre outras ações. Quanto mais conhecimento o produtor tiver, reforça, menos riscos terá no campo.
Boas práticas agrícolas e impactos na produtividade da lavoura
O cuidado com o uso de defensivos agrícolas faz parte das boas iniciativas no campo, que foi tratada pelo coordenador de Boas Práticas Agrícolas da Corteva, Jair Maggioni, com o uso de ferramentas que o agricultor deve utilizar antes, durante e após uma safra, para ter sua colheita mais sustentável e produtiva.
“Quando falamos de ferramentas, são diferentes tipos e dicas que a gente concede ao produtor. Por exemplo, calibração de equipamentos, utilização das pontas de aplicação da maneira correta, cuidado com a velocidade de vento, temperatura e umidade, correta limpeza do após a colheita”, lista.
A Corteva trabalha com inovações para controlar, por exemplo, plantas daninhas e preservar as lavouras vizinhas, respeitando as boas práticas agrícolas, como é o caso do herbicida Enlist Colex-D, que traz maior controle e flexibilidade, redução de deriva e odor, além de baixa volatilidade proporcionada pelo sal colina em sua formulação. “Esse produto em conjunto com as pontas de indução de ar reduz em até 90% o potencial de deriva na aplicação”, diz.
Tratamento de Sementes também foi tema de palestra
Outro tema debatido no encontro foi sobre patógenos da safra e como lavouras são impactadas no ciclo de produção, comentados pelo consultor agronômico Maurício De Bortoli. O líder comercial de Tratamento de Sementes da Corteva Agriscience, Maxwell Borges, abordou como o tratamento de sementes pode auxiliar no controle das doenças iniciais da soja.
A semente, o princípio de tudo, carrega o potencial genético e produtivo que o agricultor espera colher no final da lavoura. No entanto, problemas podem atrapalhar esse início, como pragas, doenças e nematóides. Nesse contexto, o tratamento de sementes é importante. A Corteva trabalha com o LumiTreo, fungicida para o manejo do complexo de doenças iniciais que afetam a cultura da soja, como podridão, tombamento e murchamento, comentados por Bortoli e Borges. “O tratamento de sementes é como se fosse um seguro que o agricultor vai fazer no início da lavoura para proteger ao máximo possível desse ataque”, explica Borges.
Fonte: Correio do Povo