Assunto foi discutido na reunião Menu POA, promovida pela Associação Comercial de Porto Alegre

Foto : Camila Cunha
O uso de tecnologia na saúde está devolvendo o tempo, aumentando a produtividade e trazendo mais segurança ao paciente com a digitalização de processos, a precisão nos resultados e os atendimentos digitais. O assunto foi pauta da reunião Menu POA, promovida pela Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA). O encontro contou com a presença do CIO da Santa Casa de Porto Alegre, Charles Ataíde; do superintendente de tecnologia da Unimed Porto Alegre, Cristiano Silveira e do CIO do Hospital Moinhos de Vento, Tiago Abreu.
A tecnologia, considerada o “core” dos negócios e que têm suas particularidades em cada segmento, na saúde ainda passa por um processo de evolução, destacou Cristiano. Ele conta que, na unidade, há diversos projetos estratégicos, e todos estão em algum contexto de demanda de tecnologia, sendo projetos assistenciais ou de expansão de serviços médicos.
As duas principais frentes de tecnologia na saúde estão na assistência, para utilizar os recursos para o atendimento de saúde do paciente por meio de programas, e as que conseguem prever patologias. Porém, para o especialista, o principal desafio está no apoio e na aplicação da tecnologia na estrutura de saúde.
“Hoje, existem muitos processos manuais no tratamento do paciente burocratizados. Registros, fichas, arquivos, papéis. A ideia de escalar é: onde atende um, atende seis de maneira automatizada. Para essa porta de entrada do hospital e tudo aquilo que gira em torno dele deixar de ser burocratizado. Deixar de ter um ser humano fazendo, deixar de ter esses caminhos engessados“, disse Charles. Para ele, a aplicação de tecnologia na estrutura aumenta a escalabilidade do atendimento e dos acessos na saúde.
Tiago também defende que o benefício da tecnologia está na otimização, como no tempo de triagem de um atendimento de urgência. “Por muito tempo, a gente estava acumulando equipamentos dentro dos hospitais e chamando isso de tecnologia. Hoje, acho que ela está trazendo benefícios do ponto de vista de segurança do paciente. Ela está devolvendo tempo ao atendimento. A gente já consegue empregar a inteligência artificial dentro de uma consulta e ela faz a transcrição que o médico antes fazia”.
Outro exemplo citado é no cuidado que não se encerra após a alta do paciente. “A gente pode, com a mesma segurança, estabelecer linhas de cuidados remotos e manter esse atendimento junto com o paciente com a mesma segurança que se ele estivesse dentro do hospital”.
Contato humano ainda é essencial
Refletindo sobre as possibilidades da queda da mão de obra, os especialistas destacaram que o trabalho humano é necessário e não pode ser substituído em muitos casos. “Daqui a pouco, talvez essa mão de obra seja mais qualificada, seja direcionada para um trabalho que hoje passa em branco, mas não uma redução em massa de mão de obra. No cenário que temos hoje, a fila do atendimento é muito grande”.
Cristiano sublinha na mesma linha. “Ainda é muito necessário o trabalho humano, justamente por causa desse momento que a saúde vive de estar entendendo como que a tecnologia se aplica”. Para ele, o dado mais valioso no segmento de saúde são os dados, e as pessoas ainda são necessárias para fazer o encaminhamento de informações que poderiam estar totalmente automatizadas. Para Tiago, o uso da tecnologia não distancia, mas aproxima.
Falsos médicos
O avanço da inteligência artificial também exige atenção constante com a segurança dos pacientes e a prevenção do exercício ilegal. É o caso da crescente presença de falsos médicos nas redes sociais, alertado por entidades como o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers).
Os especialistas destacam que o crime é antigo, mas que tem sido facilitado pela tecnologia. “A gente, como população, vai precisar evoluir também junto à inteligência artificial. É nova para as instituições e é nova também para os nossos clientes. Precisamos nos qualificar mais para estarmos mais preparados para esse tipo de golpe que chega com a utilização de uma tecnologia nova, mas já chegava antigamente”.
Fonte: Correio do Povo