Cotação média em junho foi de R$ 2,42 o litro, enquanto os custos tiveram deflação em maio

Foto : Joseani Mesquita Antunes / Embrapa Trigo / Divulgação / CP
O valor de referência do leite no mês passado ficou projetado em R$ 2,4281, pequena queda em relação ao número consolidado de maio, em R$ 2,4302, “mantendo a trajetória de estabilidade observada no mercado”, destacou o Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS), que divulgou os preços.
O setor enfrentou recentemente uma situação mais complicada em relação a cotações aos produtores. Em janeiro o valor de referência estava em 2,0560, enquanto no último mês de 2025 em R$ 2,0180.
As estatísticas são elaboradas pela Universidade de Passo Fundo (UPF) com base em informações fornecidas pelas indústrias na movimentação dos primeiros 20 dias do mês.
“Mostra a estabilidade que temos tido neste ano de 2026”, avalia Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat/RS).
“Diria que o ano de 2026, por enquanto, está positivo para o segmento do produtor, da indústria e do consumidor também, que não está tendo grandes aumentos nos derivados lácteos”, resume.
Conforme ele, após uma “boa recuperação no mês de abril”, maio também seguiu estável, assim como em junho. “Com isso, a gente entende que o cenário tá positivo para o setor, claro que com margens mais ajustados do que foi o ano de 2024 e o primeiro semestre de 2025”, complementa.
Palharini acrescenta ainda que não tem ocorrido um “aumento significativo” nos custos de produção, sobretudo em relação aos insumos para a ração milho e farelo de soja.
“Então, eu diria que é um cenário que, para o produtor, mesmo que a margem seja pequena, está mais confortável do que aqueles períodos onde a gente tinha um aumento significativo de preço e depois uma queda também bastante forte”, ressalta.
Mas como negativo no cenário, segue a alta importação de leite em pó de Argentina e Uruguai. “Nós tivemos essa questão do dumping que ficou provado que a Argentina e o Uruguai usaram esse expediente, mas o governo não incrementou nenhuma alíquota complementar para a entrada desses produtos”, lamenta.
“Temos que, neste momento, continuar esse trabalho de tentar mostrar ao governo de que precisa fazer uma sobretaxa para que possamos retomar esse mercado brasileiro, já que hoje a participação do leite em pó e outros derivados da Argentina no Uruguai está batendo quase 10% do consumo nacional, média que, até 2022, representava até 2%”, revela.
Farsul: deflação dos custos
Já o Índice de Inflação para a Produção de Leite Cru (ILC), calculado pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do RS (Farsul), registrou deflação de 0,72% em maio.
“O recuo no indicador mensal trouxe um alívio pontual aos custos de produção da cadeia leiteira gaúcha, impulsionado pela maior estabilidade cambial e por um arrefecimento dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo”, explicou nota da entidade.
Segundo o documento, a queda nas cotações dos combustíveis e dos fertilizantes foi determinante para o resultado negativo do índice naquele mês.
“Além disso, o setor de grãos apresentou movimentos distintos, com uma leve valorização do milho (0,2%) sendo compensada pela retração acentuada nas cotações da soja (-2,8%)”, acrescentou.
“Apesar do recuo no agregado, a estrutura de custos ainda enfrenta pressões pontuais. A energia elétrica foi o principal vetor de alta em maio, com elevação de 6,2%, reflexo de alterações na faixa horária de consumo e bandeiras tarifárias mais caras. O sal mineral também registrou alta de 2,4%, impulsionada por problemas logísticos no Marrocos que encareceram o ácido fosfórico”, complementou.
E no acumulado do ano, o índice de inflação do custo teve aumento de 0,33%, “sinalizando o retorno de pressões sobre os custos após um período de deflação.
Já na comparação dos últimos 12 meses, o índice apresenta uma retração de 0,8%, beneficiada pela queda nos preços da silagem (-9,2%) e do concentrado (-6,9%)”, acrescenta.
Mas, segundo a Farsul, o otimismo com a redução dos custos “esbarra na realidade da comercialização”.
“O relatório aponta um descompasso preocupante: enquanto os custos de alguns insumos recuam, o preço do leite pago ao produtor registrou queda de aproximadamente 9%, contrastando com a inflação de 3,3% no IPCA de Leite e Derivados. Para a Farsul, esse cenário resulta em compressão das margens operacionais e deterioração das relações de troca para o produtor primário”, descreve.
Fonte: Correio do Povo