De janeiro a junho o país exportou US$ 87,1 bilhões em produtos do setor, ou 47,1% dos envios totais da economia brasileira

Foto : Wenderson Araujo / Trilux / Divulgação / CP
As exportações do agronegócio alcançaram a cifra de US$ 87,1 bilhões no primeiro semestre, um recorde histórico para o período. Na comparação com 2025, houve crescimento de 6,2%, decorrente principalmente do aumento nas vendas de soja em grãos (+US$ 3,8 bilhões) e carne bovina in natura (+US$ 2,5 bilhões).
O agronegócio representou 47,1% das exportações totais brasileiras no período, participação inferior aos 49,5% registrados entre janeiro e junho de 2025. Os produtos que não pertencem ao agronegócio registraram 16,7% de crescimento, somando US$ 97,7 bilhões.
As importações de produtos do agronegócio foram de US$ 10 bilhões em 2026, o que representa queda de 1,1% em relação aos US$ 10,1 bilhões obtidos no ano anterior. Cabe ressaltar, contudo que esse montante não inclui insumos utilizados à produção agropecuária, como, por exemplo, fertilizantes (US$ 7,1 bilhões e +9,8% em relação a 2025) e defensivos (US$ 2,0 bilhões e -12,2% em relação a 2025).
Os cinco principais setores do agronegócio em termos de valor exportado entre janeiro e junho de 2026 foram: complexo soja (US$ 34,9 bilhões e 40,1% de participação); carnes (US$ 17,6 bilhões e 20,2% de participação); produtos florestais (US$ 8,2 bilhões e 9,4% de participação); café (US$ 6,6 bilhões e 7,5% de participação) e complexo sucroalcooleiro (US$ 4,6 bilhões e 5,3% de participação.
Em conjunto, esses setores representaram 82,6% das vendas externas do agronegócio brasileiro, enquanto em 2025 os cinco setores principais tiveram participação de 81,6%, o que indica aumento da concentração da pauta exportadora em relação aos cinco principais setores no primeiro semestre de 2026.
Principais recordes
Em relação aos produtos, os dez principais itens da pauta somaram US$ 68,9 bilhões, o que significa 79,1% do valor exportado pelo setor no período.
Principais recordes históricos entre janeiro e junho de 2026 foram os seguintes:
Soja em grãos – recorde em quantidade (69,6 milhões de toneladas; +7,1%);
Carne Bovina in natura – recorde em valor (US$ 9,1 bilhões; +38,5%) e quantidade (1,5 milhão de toneladas; +16,2%);
Farelo de soja – recorde em quantidade (12,7 milhões de toneladas; +11,4%);
Carne de frango in natura – recorde em valor (US$ 5,0 bilhões; +17,8%) e quantidade (2,5 milhões de toneladas; +13,7%);
Algodão não cardado nem penteado – recorde em valor (US$ 2,8 bilhões; +12,5%) e quantidade (1,8 milhão de toneladas; +21,4%);
Carne Suína in natura – recorde em valor (US$ 1,7 bilhão; +7,3%) e quantidade (683,8 mil toneladas; +8,5%);
Bovinos vivos – recorde em valor (US$ 837,1 milhões; +85,2%) e quantidade (285,6 mil toneladas; +54,6%);
Café Solúvel – recorde em quantidade (45,1 mil toneladas.; +3,8%);
Miudezas de frango – recorde em valor (US$ 392,6 milhões; +22,8%) e quantidade (258,2 mil toneladas; +13,9%);
Miudezas de carne bovina – recorde em quantidade (129,2 mil toneladas; +7,5%);
Demais destaques
E houve recorde de crescimento, também, nas exportações de outros produtos não tradicionais da pauta exportadora, como por exemplo:
Arroz – recorde em quantidade (908,8 mil toneladas; +87,8%);
Pimenta piper seca triturada ou em pó – recorde em valor (US$ 332,7 milhões; +7,4%) e quantidade (53,7 mil toneladas; +7,9%);
Outras rações para animais domésticos – recorde em valor (US$ 217,8 milhões; +12,9%);
Amendoim em grãos – recorde em quantidade (155,3 mil toneladas; +32,9%);
DDG (sêmeas, farelos e outros resíduos do milho) – recorde em valor (US$ 155,2 milhões; +44,2%) e quantidade (658,2 mil toneladas; +36,3%);
Mangas frescas ou secas – recorde em valor (US$ 142,9 milhões; +42,4%) e quantidade (121,2 mil toneladas; +38,0%);
Feijões secos – recorde em valor (US$ 114,4 milhões; +0,8%) e quantidade (149,3 mil toneladas; +10,3%);
Óleo de milho – recorde em valor (US$ 113,1 milhões; +83,8%) e quantidade (94,4 mil toneladas; +52,7%);
Limões e limas frescos ou secos – recorde em valor (US$ 105,1 milhões; +9,3%) e quantidade (109,8 mil toneladas; +3,0%);
Melões frescos – recorde em valor (US$ 97,6 milhões; +8,2%).
Destinos
A China seguiu como principal destino do agronegócio brasileiro em 2026, responsável por 35,1% das exportações no período. Foram enviados US$ 30,5 bilhões, ou 10,5% acima dos US$ 27,6 bilhões em vendas no ano prévio. Os produtos que mais contribuíram para esse resultado positivo foram soja em grãos (+US$ 1,3 bilhão, +7,0%) e carne bovina in natura (+US$1,6 bilhão, +50,3%).
Os dois produtos foram também os principais em termos de valor exportado, somando US$ 25,1 bilhões, ou 82,1% das exportações brasileiras do agronegócio ao mercado chinês.
Em seguida destaca-se a União Europeia, cujas aquisições junto ao Brasil somaram US$ 12,6 bilhões (14,5% do total). Os principais produtos exportados ao bloco foram: café verde (US$ 3 bilhões, -11,7% em relação a 2025); soja em grãos (US$ 2,4 bilhões, +40,8% em relação a 2025); farelo de soja (US$ 1,9 bilhão e -3% em relação a 2025) e celulose (US$ 1,2 bilhão, -1,3% em relação a 2025). O aumento nas vendas de soja em grãos (+682,1 milhões) e carne de frango in natura (+US$ 186,1 milhões) foi o que mais contribuiu para a elevação das vendas brasileiras ao mercado europeu no período.
EUA diminuem compras
Os Estados Unidos ocuparam a terceira posição no ranking de mercados de destino do agronegócio brasileiro, com US$ 5 bilhões. Na comparação com o ano anterior houve queda de 25,1%, em função da redução generalizada nas vendas dos principais produtos da pauta.
A queda nas vendas de café verde (-US$ 407,3 milhões), suco de laranja (-US$ 361,6 milhões) e sebo bovino (-US$ 131,2 milhões) foi o que teve maior impacto negativo sobre as exportações brasileiras do setor. Por outro lado, as vendas de carne bovina in natura cresceram US$ 324,6 milhões, o que compensou parte das perdas observadas.
Fonte: Correio do Povo