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Prêmio nacional destaca queijo de assentados

Produto desenvolvido por jovem de Jóia conquistou Medalha Superouro no Mundial do Queijo Brasil 2026

Na criação de queijos autorais, Igor resgata tradição iniciada pela avó paterna
Foto : Igor Valsoler

Os aldeamentos indígenas fundados pelos jesuítas espanhóis no noroeste do Estado brilham no rótulo do Queijo Sete Povos, produzido pela Agroindústria Camponês, no Assentamento Simón Bolívar, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Jóia. Vencedora da Medalha Superouro no concurso 4º Mundial do Queijo Brasil 2026 no mês passado, a iguaria presta um tributo aos 400 anos das Missões Jesuíticas Guaranis, comemorados neste ano, e deu destaque ao trabalho do produtor rural Igor Valsoler, 27 anos, no desenvolvimento de queijos autorais.

Segundo Igor, o Sete Povos é um queijo artesanal de massa semidura, com aroma frutado e sabor amendoado, resultado da maturação de quatro meses em prateleiras de madeira de araucária (pinheiro-brasileiro). O alimento, explica o queijeiro, reflete uma tradição iniciada por sua avó paterna, que, na década de 1960, fazia queijos e maturava as peças no porão de sua casa, na região do Alto Uruguai. A técnica foi preservada e aprimorada pelos pais do jovem, Edemir Francisco Valsoler e Marleise Rita Fiorese Valsoler. “A gente fez esse resgate: tentar maturar o queijo o mais próximo (possível) de como era no porão antigamente”, afirma Igor. O nome dado ao produto exalta a “riqueza do terroir missioneiro”, explica.

Fundada em 2012, a agroindústria da família começou fazendo queijos coloniais. Depois, vieram as versões temperadas – queijos com orégano e salame, vinho, álcool e menta, ervas finas e chimichurri – e bebidas lácteas. “No decorrer do tempo, a gente viu que precisava evoluir. Tive a oportunidade de conhecer uma francesa que morava no Brasil, aprendi sobre os queijos maturados. Não era a ideia replicar nenhum queijo europeu, então a gente começou a criar os autoriais”, conta Igor, que diz tirar muitas das ideias usadas para criar seus produtos das conversas com a namorada, Naila Cauane Malocske.

Hoje, a Agroindústria Camponês produz de 800 a 1.500 quilos de queijos por mês – do premiado Sete Povos são em torno de 600 quilos por ano. O volume é comercializado na Região Noroeste e em feiras agropecuárias, como a Expointer, em Esteio, e a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. A empresa também recebe encomendas pelo Whatsapp. “A gente faz envios para todo o Brasil, (por exemplo), para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina”, afirma Igor.

Com o reconhecimento alcançado no concurso nacional, o jovem espera ajudar a divulgar a história e a qualidade dos alimentos produzidos na região das Missões, além de quebrar o preconceito contra os agricultores sem terra. “A gente começa a mostrar que, de dentro de um assentamento, pode sair muita coisa boa. Uma família assentada que disputa um mundial e consegue uma Medalha Superouro é algo muito difícil”, destaca.

Promovido de 16 a 19 de abril, em São Paulo, o 4º Mundial do Queijo Brasil 2026 também consagrou com a Medalha Superouro outras três agroindústrias gaúchas. São elas: Queijaria Somacal, de Farroupilha (Queijo Parmesão e Queijo Tilsit), Queijaria Schneider, de Marcelino Ramos (Queijo Parmesão), e Laticínios Pipo, de Nova Roma do Sul (Ricota Fresca com Chimichurri).

Fonte: https://www.correiodopovo.com.br/

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