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Por que o RS está plantando menos cevada em plena alta da produção de cerveja

Projeção da Emater para a safra 2026 é de uma retração de 36,5% na área cultivada com o cereal no Estado

Diogo Zanatta / Especial
O malte produzido a partir da cevada é um dos principais ingredientes da cerveja
Diogo Zanatta / Especial

O Brasil ocupa hoje a terceira posição entre os maiores produtores de cerveja do mundo. São quase 18 milhões de toneladas da bebida por ano, mais de 1,8 mil cervejarias, consumo de 69,9 litros de cerveja per capita ao ano e um mercado que segue em expansão. Mas há um paradoxo dentro das lavouras: enquanto cresce o consumo da bebida, diminui a área destinada ao principal ingrediente dela em um dos seus principais polos, o Rio Grande do Sul.

projeção da Emater para a safra de inverno deste ano indica retração de 36,5% na área cultivada com cevada no Estado, que deve ficar em apenas 20,3 mil hectares. Na direção oposta, o Paraná deve ampliar novamente o cultivo e superar 118 mil hectares, impulsionados pela expansão da indústria de malte.

A diferença entre os dois Estados está no clima, explicou o pesquisador da Embrapa Trigo, de Passo Fundo, Aloisio Vilarinho:

— O excesso de chuva na fase reprodutiva prejudica a qualidade dos grãos, que podem não atingir o padrão exigido pela indústria de malte.

Hoje, o que o Rio Grande do Sul não tem produzido é suprido por importações, principalmente da Argentina. O Brasil produz 960 mil toneladas de malte por ano, e a indústria precisa de 2 milhões de toneladas para atender ao mercado interno.

E é justamente para reduzir esse gargalo que a Embrapa renovou uma parceria histórica com a Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (Fapa). O objetivo é acelerar o desenvolvimento de novas cultivares que aliem produtividade, qualidade para a produção de cervejas e maior resistência a problemas climáticos.

— A Embrapa sempre trabalhou em parceria com o setor de malte e cerveja. O que estamos fazendo agora é renovar esse esforço para desenvolver materiais mais resilientes aos desafios climáticos que têm afetado principalmente o Rio Grande do Sul — reforçou Vilarinho à coluna.

O programa de melhoramento da Embrapa já lançou 35 cultivares desde 1976. Pelo novo acordo, válido até 2028, a expectativa é gerar quatro novas linhagens com potencial para chegar ao mercado nos próximos anos. Uma delas deve ser registrada ainda este ano.

A pesquisa, porém, resolve apenas parte da equação. O crescimento da área continuará dependendo da disposição da indústria em fomentar a cultura e da confiança do produtor. Sobre o assunto, tanto a Ambev, responsável por industrializar a cevada produzida no Estado, com uma maltaria em Passo Fundo, quanto o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), preferiram não se manifestar.

Fonte: GZH

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