Armamentos eram comercializados no meio criminoso, e polícia investiga ligação do grupo com o tráfico de drogas; cinco suspeitos estão foragidos após ação em seis cidades gaúchas

Foto : Polícia Civil / Divulgação / CP
A Polícia Civil do RS deflagrou, na manhã desta quarta-feira, uma operação contra um grupo investigado por usar impressoras 3D para fabricar armas de fogo posteriormente comercializadas no meio criminoso. Além disso, os suspeitos também são investigados por envolvimento com o tráfico de entorpecentes.
Até o momento, 15 pessoas foram presas na ação, que cumpre mandados em Canoas, Portão, Eldorado do Sul, Montenegro, Triunfo e São Leopoldo. Segundo a Polícia, alguns tem ligação com uma facção com origem no Vale dos Sinos. As diligências seguem em andamento para localização de cinco foragidos.
Após uma apreensão de impressoras 3D e armas fabricadas com a tecnologia, em novembro de 2025, os policiais identificaram uma estrutura clandestina de fabricação e comercialização de armas. O grupo é formado por integrantes com conhecimento técnico para produzir e montar os armamentos.
Segundo o delegado Wesley Lopes, responsável pela investigação, foi possível identificar divisão de tarefas, logística para circulação dessas armas e a atuação de integrantes que, mesmo recolhidos ao sistema prisional, permaneciam participando da dinâmica criminosa.
“A operação busca interromper essa cadeia de produção e impedir que novos armamentos sejam colocados à disposição da criminalidade”, disse.
A operação
A ação, denominada Operação 3D, cumpre 20 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão, que mobilizaram 62 policiais civis, distribuídos em 12 viaturas. Coordenada pela 2ª Delegacia de Polícia de Investigação do Narcotráfico (2ª DIN), a operação faz parte da Operação Desarme, coordenada nacionalmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Segundo o delegado, as prisões realizadas nesta quarta-feira também têm como objetivo colher novos elementos de prova para dar andamento à investigação. Além da prisão de 15 investigados, foram apreendidos um tijolo de maconha e outros materiais de interesse investigativo.
As diligências seguem em andamento para a localização dos cinco foragidos, o cumprimento integral das medidas judiciais e a apreensão de novos elementos probatórios.
Apreensão gera operação
Em novembro de 2025, uma ação da 2ª DIN apreendeu armas de fogo produzidas com tecnologia de impressão 3D, além de impressoras, peças e componentes destinados à fabricação dos armamentos, munições e aparelhos eletrônicos. Um suspeito foi preso nesta ação.
A partir desse material, a Polícia Civil aprofundou as diligências e identificou uma estrutura organizada para a produção e circulação clandestina das armas, algumas de grosso calibre. A investigação reuniu elementos sobre a atuação dos integrantes e a forma como os armamentos eram produzidos e colocados em circulação.
Segundo a polícia, o grupo contava com integrantes com conhecimento técnico para operar as impressoras e produzir as armas, que posteriormente eram destinadas à circulação e comercialização no meio criminoso. A estrutura envolvia diferentes etapas, desde a aquisição de equipamentos, insumos e componentes até a fabricação, montagem, ajustes e testes de funcionamento dos armamentos.
Além da fabricação e comercialização ilegal de armas, o grupo também é investigado por envolvimento com o tráfico de entorpecentes. Drogas foram apreendidas durante o cumprimento das medidas judiciais nesta quarta-feira. Segundo o delegado, alguns dos presos eram membros de uma facção com origem no Vale dos Sinos.
Fonte: Correio do Povo