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Petróleo sobe mais de 5% e governo avalia adiar o fim do subsídio

Com alta do barril e guerra no Oriente Médio, Petrobras pode não reduzir preço da gasolina

Principal referência mundial, o petróleo Brent para entrega em setembro avançou 5,2%, a US$ 78,02 por barril
Principal referência mundial, o petróleo Brent para entrega em setembro avançou 5,2%, a US$ 78,02 por barril
Foto : AFP

Os preços do barril de petróleo voltaram a subir com força, atingindo seu maior patamar em três semanas, depois que o presidente Donald Trump anunciou o fim do cessar-fogo com o Irã.

Principal referência mundial, o petróleo Brent para entrega em setembro avançou 5,2%, a US$ 78,02 por barril, enquanto o WTI (parâmetro para o mercado americano) para agosto foi a US$ 73,52, o que representou uma alta de 4,37% no dia.

Em ambos os casos, são as maiores cotações desde 22 de junho. Ao longo do dia, os preços do petróleo chegaram a bater no patamar de US$ 80 por barril (alta de 8%) com o recrudescimento do tom belicista entre Estados Unidos e Irã, que prometeu atacar “duas vezes mais” alvos inimigos.

O grande receio é um novo fechamento do Estreito de Ormuz, que concentra cerca de 20% do comércio mundial de petróleo. Em relatório, a consultoria Rystad Energy afirmou que o tráfego de petroleiros por Ormuz “praticamente parou, o que diz mais sobre a percepção de risco neste momento do que qualquer declaração de Washington ou Teerã”.

Já a Capital Economics declarou que novos ataques militares no Oriente Médio reforçam a visão de que os preços do petróleo serão voláteis nos próximos meses e enfrentarão períodos de pressão altista. “A ruptura desse memorando de entendimento (o cessar-fogo) frustrou as expectativas do mercado e ressuscitou o temor de um conflito de proporções imprevisíveis”, disse Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad.

Subsídios

Com a volta das ofensivas entre EUA e Irã, o governo Lula deve esperar mais um pouco para reavaliar o fim do subsídio que havia sido anunciado para a gasolina, bem como para retirar totalmente o subsídio para o diesel, segundo pessoas próximas ao tema.

Ao contrário, se a commodity voltar a patamares mais elevados, como ocorreu em abril, a subvenção ao diesel pode ser ajustada novamente.

Na semana passada, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a subvenção dada pelo governo para conter a alta da gasolina, de R$ 0,44 por litro, seria revertida nesta semana.

preço do petróleo caminhava para níveis de antes da guerra, próximo a US$ 60 por barril, até as declarações dadas ontem por autoridades dos EUA e do Irã.

O governo reduziu a subvenção ao diesel e ainda não havia alterado o subsídio à gasolina. A Petrobras, uma das poucas empresas que participam do programa de subvenção, já recebeu R$ 4,7 bilhões para vender diesel no mercado interno sem a volatilidade de preços do mercado internacional.

Por enquanto, de concreto, o governo retirou R$ 0,35 da subvenção do diesel, mas ainda manteve subsídio de R$ 1,12. A expectativa era de que a Petrobras reduzisse o preço da gasolina após a retirada de subvenção do combustível, como fez com o diesel, decisão que também deverá aguardar o rumo que será tomado pela guerra no Oriente Médio.

Mercado

No mercado financeiro, as atenções dos investidores para a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que mostrou um colegiado dividido sobre os rumos dos juros no país (mais informações na pág. B5), se voltaram também para o conflito no Oriente Médio.

Depois de passar boa parte do dia em queda de mais de 1%, o Ibovespa, principal indicador da B3, registrou baixa de 0,79%, aos 170,6 mil pontos. Os índices acionários também caíram em Nova York, exceto a Nasdaq, que teve suporte com a recuperação de algumas ações de tecnologia.

Já o dólar fechou praticamente estável (-0,09%), a R$ 5,14.

“Trump conseguiu reverter um cartão vermelho na Copa do Mundo, mas não consegue reabrir o Estreito de Ormuz meses depois de seu fechamento, nem chegar numa solução”, afirmou o estrategista Gustavo Cruz.

Em sua visão, os EUA seguem de “mãos atadas”, uma vez que, se ataques mais intensos contra o Irã forem realizados, outros países do Oriente Médio poderiam ser atacados por Teerã. “E isso abalaria ainda mais a economia global.”

Fonte: Correio do Povo

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