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Pecuarista destaca ação coletiva em favor da bovinocultura

Na Jornada NESPro e II Congresso de Criadores, Antonia Scalzilli defende medidas para fortalecer reputação da carne gaúcha frente ao consumidor

Para Antonia Scalzilli, setor precisa comunicar com mais eficiência os diferenciais da produção do RS
Para Antonia Scalzilli, setor precisa comunicar com mais eficiência os diferenciais da produção do RS
Foto : Patrícia Feiten

A importância de estratégias coletivas para a bovinocultura de corte gaúcha diante das grandes transformações confrontadas pelo setor esteve no centro dos debates no primeiro dia da XXI Jornada NESPro e II Congresso de Criadores, nesta quarta-feira (24), no centro de eventos do BarraShoppingSul, em Porto Alegre. No seminário, promovido pelo Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro) da Ufrgs e pelo Instituto Desenvolve Pecuária, o tema foi abordado pela pecuarista Antonia Scalzilli. Uma das principais lideranças da agropecuária no Estado, ela defendeu que já não basta produzir carne de qualidade: é preciso mostrar o significado existente por trás desse produto.

Em sua apresentação, Antonia refletiu sobre a evolução alcançada pelo setor em termos de genética animal, sanidade e nutrição de rebanhos, gestão das propriedades rurais e sustentabilidade, mas reforçou a necessidade urgente de fortalecer a reputação da proteína produzida no Rio Grande do Sul, destacando seus atributos diferenciais. “Era nossa obrigação melhorar a produtividade, ganhar eficiência e abrir mercados. E nós fizemos tudo isso”, disse a pecuarista, que também é presidente do Instituto Desenvolve Pecuária.

No entanto, lembrou Antonia, as mudanças sociais, o avanço tecnológico e a alta velocidade da comunicação no mundo conectado atual trouxeram exigências à cadeia produtiva da carne que extrapolam os limites da porteira.

“Os consumidores buscam saber qual é a nossa relação com os animais, com o meio ambiente, com a tal da sanidade, com todas as pautas de responsabilidade. O consumidor não enxerga os elos da cadeia: ele enxerga somente a carne e julga o resultado”, destacou.

Nesse sentido, afirma a pecuarista, a comunicação deixou de ser uma mera ferramenta de divulgação e se tornou uma estratégia decisiva para competitividade. “Todas as pautas de dentro da porteira seguem sendo importantes, mas nem sempre a gente conseguiu comunicar isso para a sociedade. Enquanto o campo avançou, a distância entre quem produz e quem consome só aumentou”, observou.

Para a pecuarista, os problemas da bovinocultura passaram a ser uma questão cada vez mais coletiva e menos individual. Ela citou a criação do Instituto Desenvolve Pecuária, há cinco anos, como uma iniciativa de congregar e mobilizar o setor frente a esse novo cenário de mercado.

“Promover a carne, construir reputação e aproximar o campo da cidade são desafios coletivos. Não conseguimos fazer isso sozinhos. Nós nascemos com um propósito muito forte: construir pontes entre os pecuaristas, entre as entidades, entre o campo e a cidade. Então, chegou a hora de transformarmos esse trabalho em estratégia”, disse Antonia, ao dividir o palco com membros da equipe da entidade.

Uma das iniciativas recentes do instituto no sentido de melhor a produtividade das indústrias do setor, que hoje operam com ociosidade e, ao mesmo tempo, valorizar a imagem da carne gaúcha, segundo Antonia, foi a criação do Fundo de Promoção da Carne Gaúcha (Fundocarne). A iniciativa é mantida com recursos coletados de forma voluntária de produtores, frigoríficos, associações de raça e leiloeiros, em todas as fases da operação comercial. “Nós temos 17 indústrias que já estão doando 50 centavos por animal abatido da totalidade dos seus abates”, afirmou. “O Fundocarne não nasce para substituir nem ocupar o espaço de ninguém. Quando a gente fala em unir esforços, isso fala com cada um de vocês, com cada raça, cada expressão, com cada unidade.”

Em seu primeiro dia, a Jornada NESPro e II Congresso de Criadores também discutiu a gestão na pecuária e promoveu uma mesa redonda sobre rastreabilidade na cadeia produtiva. O evento prossegue nesta quinta-feira, das 8h30 às 18h.

Fonte: Correio do Povo

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