Considerada a primeira-dama da televisão brasileira, a atriz faleceu em sua casa no Rio de Janeiro

A atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira, 18 de agosto, aos 91 anos. A informação foi confirmada por pessoas ligadas à artista, que noticiaram que ela faleceu em casa no Rio de Janeiro. Ela era considerada a primeira-dama da Televisão Brasileira e foi a pioneira ao protagonizar uma novela diária na televisão brasileira, vivendo grandes personagens.
Glória Menezes se dedicou à atuação pela maior parte de sua vida. Ela era aluna da Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP), onde começou no final dos anos 1950, quando fundou o grupo teatral Jovens Independentes e optou por abandonar os estudos para mergulhar na companhia.
Nilcedes Soares de Magalhães, conhecida como Glória Menezes, nasceu em Pelotas em 19 de outubro de 1934. Os troféus de Glória Menezes incluem um Prêmio APCA, três Troféus Imprensa e três Prêmios Qualidade Brasil. Ela recebeu homenagens com o Troféu Oscarito do Festival de Gramado, em 2005, e o festejado Troféu Mário Lago por sua trajetória artística.
Em 1959 fez sua primeira aparição em telenovelas em “Um Lugar ao Sol”, da TV Tupi, e no ano seguinte fez sua estreia no cinema rodando o filme indicado ao Óscar O Pagador de Promessas, um dos títulos mais importantes da filmografia nacional.
Posteriormente, ganhou enorme projeção na televisão ao protagonizar uma série de novelas de sucesso ao lado de Tarcísio Meira, com quem se casou e manteve uma união de 59 anos, um dos casamentos mais duradouros da televisão brasileira, até a morte dele em agosto de 2021.
O casal iniciou a parceria na TV Excelsior em “2-5499 Ocupado”, a primeira novela diária da TV brasileira. Entre os títulos mais conhecidos do casal, estão “A Deusa Vencida” (1965), “Sangue e Areia” (1967), “Rosa Rebelde” (1969), “Irmãos Coragem” (1970), “O Semideus” (1973) e “Cavalo de Aço” (1973).
Glória diversificou sua carreira a partir da década de 1980 com participações expressivas em telenovelas de diferentes autores. A atriz explorou o seu lado cômico pela primeira vez em “Jogo da Vida” (1980), repetindo sucesso em tramas leves de comédia em “Guerra dos Sexos” (1983) e “Brega & Chique” (1987).
Interpretou a primeira vilã da sua carreira como a memorável Laurinha Figueiroa em “Rainha da Sucata” (1990). Recebeu o Troféu Imprensa de Melhor Atriz de 1992 por sua atuação em “Deus nos Acuda”. Ela ainda obteve destaque em tramas como “A Próxima Vítima” (1995), “Torre de Babel” (1998), “O Beijo do Vampiro” (2002), “Senhora do Destino” (2004), “A Favorita” (2008) e “Totalmente Demais” (2015), sendo esta sua última novela. Atualmente, a atriz estava aposentada da atuação e vivia uma vida reclusa.

Glória Menezes morreu nesta terça-feira, 18 de agosto, em sua casa no Rio de Janeiro, aos 91 anos | Foto: Epitácio Pessoa / Estadão Conteúdo / CP
No teatro, a primeira peça foi montada em 1959. Foi “Devoção à Cruz”, com Juca de Oliveira. Ela recebeu o prêmio de Melhor Atriz Revelação em um festival de teatro amador promovido por Antunes Filho. Este foi o pontapé inicial para sua ascensão ao estrelato.
O cineasta Anselmo Duarte impressionou-se com uma de suas interpretações no teatro e a convidou para integrar o elenco de “O Pagador de Promessas”, rodado em 1960. Inicialmente escalada para viver Marli, uma prostituta, a atriz acabou assumindo o papel de Rosa após Maria Helena Dias, que interpretaria a coprotagonista, contrair pneumonia.
Com a mudança, Norma Bengell passou a interpretar Marli. No filme, sua personagem é esposa de Zé do Burro, vivido por Leonardo Villar – um homem simples que enfrenta a intransigência da Igreja ao tentar cumprir uma promessa feita em um terreiro de Candomblé: carregar uma pesada cruz de madeira por um longo percurso. Ela o acompanha durante toda a jornada, permanecendo ao seu lado quando a Igreja e parte da população tentam explorar a ingenuidade de Zé para benefício próprio.
A obra estreou no Festival de Cannes, em 1962, onde conquistou a Palma de Ouro, e posteriormente foi indicada ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Sua estreia no cinema, portanto, já se deu com repercussão internacional. Por esse trabalho, Menezes recebeu diversos prêmios de Melhor Atriz, incluindo no Festival de Cinema de Curitiba.
Em novembro de 2015, o filme foi eleito o nono melhor longa-metragem brasileiro de todos os tempos pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Ao todo, Glória Menezes atuou em sete longas. Ela alcançou reconhecimento nos três segmentos (cinema, teatro e televisão) logo no início de sua carreira.
Fonte: www.correiodopovo.com.br