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México x África do Sul: começa a maior Copa do Mundo da história

No emblemático estádio Azteca, México e África do Sul abrem o Mundial com 48 seleções à espera de uma nova página a ser escrita no futebol

México x África do Sul: começa a maior Copa do Mundo da história
México x África do Sul: começa a maior Copa do Mundo da história
Foto : Carl de Souza / AFP

A espera acabou. Nesta quinta-feira, às 16h (horário de Brasília), o lendário Estádio Azteca, na Cidade do México, receberá o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2026. E não será uma abertura qualquer. O duelo entre México e África do Sul inaugura oficialmente o maior Mundial da história, agora com 48 seleções e 104 partidas.

Também marca o retorno da competição ao Azteca, um dos poucos templos do futebol capazes de contar capítulos inteiros da história do esporte apenas por suas arquibancadas. Foi ali que Pelé conquistou sua terceira Copa pelo Brasil, em 1970. Foi ali que Diego Maradona eternizou a “Mão de Deus” e o “Gol do Século”, em 1986.

A abertura da Copa também carrega uma curiosa coincidência. Por uma dessas ironias que o futebol adora produzir, México e África do Sul repetem justamente a partida inaugural do Mundial de 2010, quando os sul-africanos eram os anfitriões e arrancaram um empate por 1 a 1 diante dos mexicanos. Dezesseis anos depois, os papéis se inverteram. O México recebe o torneio e a África do Sul chega como visitante.

Mas o contexto da competição vai além das quatro linhas. A edição de 2026 começou cercada por debates envolvendo a logística da organização compartilhada entre México, Estados Unidos e Canadá. Nos últimos meses, relatos de dificuldades para obtenção de vistos e processos de entrada em território norte-americano envolvendo integrantes de delegações, dirigentes, árbitros e profissionais ligados às seleções geraram preocupação entre organizadores e federações. Nada capaz de ameaçar o torneio, mas suficiente para manchar um Mundial espalhado por três países.

Dentro das quatro linhas, o México chega cercado de expectativas. Afinal, além da condição de anfitrião, a equipe comandada por Javier Aguirre vive um momento de estabilidade raro nos últimos anos. Os mexicanos não perdem há oito partidas e chegam embalados por uma sequência positiva construída em amistosos disputados desde o final de 2025. O mais recente deles terminou com uma goleada por 5 a 1 sobre a Sérvia, na semana passada, reforçando o clima de confiança antes da estreia.

A geração atual mistura experiência e talento. O veterano atacante Raúl Jiménez continua sendo uma das referências ofensivas. Outros nomes como Santiago Giménez, Luis Chávez e Johan Vásquez também carregam a responsabilidade de conduzir a seleção anfitriã.

Historicamente, o México é um frequentador assíduo das Copas. Esta será sua 19ª participação. O problema é que a seleção transformou as oitavas de final em uma espécie de teto de vidro. Desde 1994, os mexicanos chegaram à fase eliminatória em praticamente todas as edições, mas nunca conseguiram avançar além dela. Jogar mais uma vez em casa, como em 1986, surge como a oportunidade de finalmente quebrar essa barreira.

Do outro lado estará uma África do Sul que retorna ao torneio após 16 anos de ausência. Desde a Copa que organizou em 2010, os Bafana Bafana não conseguiam se classificar para um Mundial. A equipe dirigida pelo belga Hugo Broos garantiu vaga ao liderar seu grupo nas Eliminatórias Africanas.

O retrospecto recente, porém, inspira cautela. Em 2026, os sul-africanos venceram apenas um dos quatro amistosos disputados como preparação para o torneio, justamente o último, contra a Jamaica, no sábado passado. Ainda assim, contam com jogadores capazes de desequilibrar, como o volante Teboho Mokoena, cérebro da equipe, e o atacante Lyle Foster, esperança de gols da seleção africana.

A partida também abre um dos grupos mais equilibrados da competição. Além de mexicanos e sul-africanos, a chave reúne Coreia do Sul e República Tcheca, duas seleções com tradição suficiente para sonhar com a classificação. Não por acaso, analistas apontam o Grupo A como um daqueles em que qualquer tropeço pode custar caro.

Se há um favorito para a estreia, ele veste verde, branco e vermelho e terá quase 90 mil vozes empurrando cada ataque. Mas a história das Copas ensina que favoritismo costuma durar apenas até o apito inicial. Afinal, na várzea ou na maior competição do planeta, o futebol costuma ser decidido entre 22 jogadores e uma bola, desta vez sobre um gramado que já viu Pelé e Maradona fazerem história.

Fonte: Correio do Povo

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