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Mel e poesia

Documentário sobre apicultura selvagem na Macedônia faz lembrar da importância do uso sustentável dos recursos naturais e da importância das abelhas para o cultivo agrícola

Honeyland, filme de 2019 concorrente ao Oscar pela Macedônia do Norte em 2020
Foto : Reprodução / IMDb

A corrida do Oscar de 2020 é lembrada pelo blockbuster Coringa, que consagrou o ator Joaquin Phoenix, e pelo longa sul-coreano Parasita, primeiro estrangeiro a conquistar a estatueta de melhor filme e vencedor também do prêmio de melhor filme internacional. Mas uma produção pequena, ambientada em um povoado remoto nos Bálcãs e sem nenhum nome estrelado, ganhou inesperado prestígio na disputa. Honeyland (Terra do Mel, em português) arrebatou os críticos com uma narrativa sobre apicultura selvagem.

Dirigido por Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov, o longa representou a Macedônia do Norte no Oscar e fez história como o primeiro filme a ser indicado nas categorias de melhor documentário e melhor longa internacional. Perdeu em ambas, mas faturou dezenas de indicações e prêmios em festivais de cinema menores. A produção acompanha o cotidiano de Hatidze Muratova, uma mulher de meia idade descrita pelo material promocional como a última caçadora de abelhas da Europa. Ela vive isolada com a mãe idosa em um casebre na aldeia de Bekirlija, onde não há energia elétrica nem água encanada.

Já nos primeiros minutos, a protagonista surge caminhando na borda de um penhasco, para coletar mel silvestre de um enxame escondido em uma fenda nas rochas. Hatidze é uma apicultora “raiz”, que usa métodos passados de geração em geração. Ela trata com carinho as abelhas, produtoras da sua única fonte de sustento e, ao se aproximar delas, repete seu lema de sustentabilidade: “metade para mim, metade para vocês”.

Com o pouco que recebe na venda do mel em mercados da capital da Macedônia do Norte, Skopje, Hatidze compra tintura de cabelo e um leque para a mãe doente. Diante da realidade dura, a ternura que seu rosto transmite na tela comove o espectador. A paz dessa apicultora das montanhas, porém, é abalada com a chegada de um casal de nômades e seus sete filhos, que surgem em um trailer acompanhados de gado e galinhas.

Equilíbrio no uso de recursos naturais

Se, no início, o clima entre os dois lados é amistoso, o conflito ocorre quando o patriarca da família decide criar abelhas, ignorando a regra “50/50” de Hatidze. De olho nos lucros, ele extrai todo o mel das suas colmeias próprias, sem deixar nada para a sobrevivência dos insetos, que acabam atacando os enxames da vizinha. O homem também enerva Hatidze com seus maus-tratos aos animais.

Apesar de focado em uma região estranha à maioria dos ocidentais, o filme-documentário traz uma mensagem universal em tempos de preocupação com o futuro do planeta. No caso das abelhas, estudos apontam o declínio nas populações desses importantes polinizadores, o que poderia impactar a produção de muitos cultivos agrícolas.

As espécies nativas, objetos da chamada meliponicultura, exigem atenção ainda maior. No Brasil, por exemplo, a Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção (Portaria 148/2022 do Ministério do Meio Ambiente) inclui quatro espécies de abelhas-sem-ferrão. Ao longo de uma hora e meia de duração, Honeyland nos faz refletir sobre o respeito à natureza e o uso sustentável dos recursos naturais.

Fonte: Correio do Povo

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