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Frota gaúcha poderá ter mais carros elétricos do que a combustão em 10 anos, aponta Detran

Diretor técnico do órgão, Fábio dos Santos apontou ainda momento de desburocratização vivido no RS em painel que debateu futuro do setor automotivo

Diretor técnico do Detran-RS apresentou políticas públicas aplicadas para fomentar o setor automotivo no RS
Diretor técnico do Detran-RS apresentou políticas públicas aplicadas para fomentar o setor automotivo no RS
Foto: Rodrigo Thiel / Especial / CP

O primeiro dia do 2º Encontro Sul-Brasileiro de Distribuição de Veículos Automotores encerrou com um debate sobre o futuro do setor. Além de representantes da área, o painel contou com a participação do diretor técnico do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS), Fabio Pinheiro dos Santos, que destacou o crescimento no registro de veículos elétricos no Estado.

Promovido em parceria pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) com os sindicatos dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Rio Grande do Sul (Sincodiv-RS) e de Santa Catarina (Sincodiv-SC), o evento segue até esta terça-feira, em Balneário Camboriú. O painel contou ainda com a participação do vice-presidente da Fenabrave, Luiz Carlos Bianchi, e do presidente do Sincodiv-RS, Jefferson Fürstenau.

No painel, o diretor técnico do Detran-RS deu mais detalhes da frota gaúcha, que tem aumentado, em média, 2,5% ao ano. Apesar disso, apenas em 2024, o registro de veículos elétricos cresceu 80,6%. “Se continuar esse cenário, em 10 anos, ou até menos, a frota de veículos elétricos superará a de veículos a combustão no RS. E isso implica em novas experiências, em adaptação de sistemas de registro. É um novo mercado surgindo para todos”, afirmou dos Santos.

Em sua explanação, o diretor técnico ainda destacou os avanços vividos no órgão em prol da desburocratização. Entre os principais, está o fim da necessidade de vistoria na compra de um veículo zero quilômetro e a redução de taxas cobradas durante o processo de emplacamento. Ele citou que o grande objetivo é reverter o cenário de evasão de transferências e emplacamentos da frota gaúcha para SC.

Para isso, o Detran-RS tem desenvolvido aplicativos e ferramentas que utilizam inteligência artificial para facilitar as vistorias na chegada dos veículos nas concessionárias, refletindo na redução de custos, segurança e praticidade para o consumidor. “O órgão público precisa estar atento às evidências para planejar suas políticas. Por isso, estamos focando muito na ampliação dos nossos serviços digitais aos usuários”, completou.

Nova realidade do setor

No painel, o presidente do Sincodiv-RS, Jefferson Fürstenau, destacou que o número de montadoras atuantes no mercado nacional dobrou em 10 anos, entre 2015 e 2025, mas as vendas de veículos novos caíram de 200 mil para 190 mil por ano. Apesar disso, a chegada dos eletrificados têm apresentado um potencial de mercado para o setor. Neste ano, ressaltou o presidente, o Estado teve, pela primeira vez na história, um carro elétrico liderando o ranking dos mais vendidos.

“Estamos falando da maior revolução do setor automotivo. E o RS está na curva do crescimento dessa eletrificação. Precisamos preparar as redes de concessionárias para essas ondas de novas marcas que estão entrando no mercado. Ter mais de 60 marcas ativas exigem gestão qualificada do portfólio, além da capacitação das equipes para essa variedade”, destacou.

Fürstenau reforçou ainda a necessidade da criação de um ecossistema preparado para atender clientes de veículos eletrificados, citando adequações no pós-venda, nas oficinas e em serviços terceirizados, como guinchos. Para o vice-presidente da Fenabrave, Luiz Carlos Bianchi, a chegada de veículos eletrificados, principalmente de marcas chinesas, deu uma “chacoalhada” no mercado.

“Temos que entender que o cliente também mudou. Ele está buscando espaços e novidades a partir daquilo que ele tem de poder de compra. Essa nova fase do setor é uma mudança estrutural. Hoje, o cliente chega informado e toma decisão mais rápido. Apesar disso, o relacionamento e a reputação seguem sendo fatores importantes. O desafio está em unir esse contato, essa proximidade com o cliente, à velocidade de transformação que acontece no setor”, concluiu Bianchi.

Fonte: Correio do Povo

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