Embarques gaúchos renderam US$ 47,6 milhões no mês, impulsionados pela demanda do mercado turco e pela desvalorização do real

Foto : Wenderson Araujo / Divulgação CNA / CP
A divulgação dos números de exportação do agronegócio do Rio Grande do Sul do primeiro semestre mostrou o grande avanço das vendas de “gado em pé”. Nos primeiros seis meses do ano, o Estado faturou 222,9 milhões de dólares com o produto, crescimento de 113%. Só em junho, foram 47,6 milhões de dólares, alta de 1.567,9%, resultado considerado um “destaque absoluto” pela Farsul, que divulgou as informações nessa terça-feira.
A retomada dos embarques para a Turquia foi fundamental para o impulso. O professor Julio Barcellos, coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro), da Ufrgs, explica que a demanda se deu pela valorização do dólar frente ao real. Além disso, questões relacionadas às certificações e aos sistemas de abate na Turquia fazem com que aquele mercado prefira importar o gado brasileiro, que tem custo de produção mais barato do que o uruguaio, por exemplo.
Barcellos revela uma previsão de embarques, pelo Porto de Rio Grande, de 500 mil cabeças ainda neste ano, o que representaria praticamente 25% do abate de gado no Estado. Para ele, há aspectos positivos, como a abertura de um novo mercado para a venda de diversas categorias de gado.
No entanto, o pesquisador observa que é importante considerar a comercialização de matrizes, que representam um patrimônio genético e têm potencial para o repovoamento dos campos gaúchos. Na avaliação dele, o preço pago por esses animais talvez não reflita adequadamente o valor estratégico, o que justificaria uma análise mais detalhada. Ainda assim, ressalta que a decisão cabe ao produtor.
“Nós temos que compreender que é a livre iniciativa e a liberdade por parte do pecuarista que não podem ser contestadas”, diz.
Ainda assim, destaca que é uma questão que precisa ser reestudada na cadeia produtiva como um todo “para que nós tenhamos mais informações sobre os reais benefícios dessa saída de mercado”.
Fonte: Correio do Povo