Pequenas propriedades, que desempenham papel fundamental na oferta de alimentos, são 80,5% dos estabelecimentos rurais no Estado

Foto : Camila Cunha/ CP Memória
O Brasil homenageia, no dia 28 de julho, os homens e mulheres que extraem alimentos da terra e impulsionam o avanço de um dos setores mais importantes da economia nacional, resumido no termo agronegócio. O Dia do Agricultor foi instituído em 1960 pelo então presidente Juscelino Kubitschek, para marcar o centenário do Ministério da Agricultura, órgão criado por Dom Pedro II. Embora celebre os heróis do campo que conduzem propriedades rurais de todos os portes, a data faz um tributo especialmente aos pequenos produtores familiares, que representam a grande maioria no Brasil.
No caso do Rio Grande do Sul, são 293.832 os estabelecimentos rurais classificados como agricultura familiar, o equivalente a 80,5% das propriedades, de acordo com dados do Censo Agropecuário do IBGE de 2017 compilados pela Emater/RS-Ascar. Do total, 87,8% são dirigidos por homens, e 12,2%, por mulheres.
Dados de outra fonte, o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), mostram como essas pequenas propriedades são estratégicas para a produção de alimentos. O CAF é usado para identificar os agricultores familiares e garantir o acesso a políticas públicas voltadas ao segmento, como os programas de crédito rural. De acordo com informações da plataforma acessadas pela Emater/RS-Ascar em 1º de julho, de um total de 199.600 CAFs emitidos no Estado, 193.719 referem-se a produtores dedicados a agricultura, pecuária e outras atividades. O restante tem como atividade principal a aquicultura, a silvicultura, o extrativismo e a pesca artesanal.
Peso no PIB
Os dados do CAF também mostram distribuição de gênero e idade no campo. A Emater/RS-Ascar explica que, em um CAF, podem estar registrados apenas homens, apenas mulheres ou ambos. Do universo de 199.600 CAFs emitidos, 165.189 têm mulheres cadastradas nas unidades familiares, enquanto os que têm homens registrados são 197.573. Nessas propriedades, os jovens de 16 a 29 anos somam 42.835 pessoas (24.967 homens e 17.868 mulheres).
Citando números do Ministério da Agricultura e Pecuária, o secretário executivo da Federação dos Agricultores na Agricultura Familiar (Fetag-RS), Kaliton Prestes, destaca o papel do segmento na geração de riquezas no Estado e a eficiência na utilização da terra. Do total referente ao Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Rio Grande do Sul projetado para 2026, de R$ 102,7 bilhões, 40% são gerados por agricultores e pecuaristas familiares. O indicador é calculado com base nas estimativas de produção e nos preços recebidos pelos produtores rurais. Os produtores familiares, observa Prestes, também detêm 25% dos imóveis rurais no Estado.
“Então, 40% do VBP em 25% da terra significa uma utilidade daquela propriedade e uma racionalidade econômica muito grande, porque aquela agricultura familiar produz muito em pouca área”, afirma.
O presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port, observa que o agronegócio responde por 40% do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho.
“E muitas vezes não nos damos conta da força que o agronegócio tem, movimentando também indústria, comércio, serviços. Quando o produtor não vai bem por conta de uma safra, de estiagem ou excesso de chuva, isso implica (prejuízos) em todos, inclusive em regiões mais turísticas”, destaca.
Fonte: Correio do Povo