Promovido por Correio do Povo e Sindienergia-RS, o Fórum de Energias Renováveis debateu o tema nesta terça-feira, em Porto Alegre

Foto : Camila Cunha
A necessidade de descarbonização do transporte de cargas foi o tema do quarto painel do 6º Fórum de Energias Renováveis nesta terça-feira. Promovido por Correio do Povo e Sindienergia-RS, o evento reuniu lideranças do setor no Teatro do CIEE-RS Banrisul, em Porto Alegre. Participaram do painel o secretário de Logística e Transportes do RS, Clóvis Garcez Magalhães; o cofundador da Arrow Mobility, Julio César Balbinot; e o diretor-técnico da Fepam, Gabriel Ritter.
O secretário lembrou que, no passado, as hidrovias e ferrovias eram os principais meios de acesso ao interior do Estado, e foram substituídas pelas rodovias. “A multimodalidade é essencial para o Rio Grande do Sul. A primeira condição é a recuperação das hidrovias como modal sustentável. É o meio de transporte com o menor consumo energético para deslocar a maior capacidade de produtos”, disse. Para fortalecer o modal, Magalhães informou que há um investimento de R$ 631 milhões do Fundo Rio Grande (Funrigs) para desassoreamento e dragagem de rios no Estado.
Além disso, ele destacou as dificuldades de recrutar e treinar mão de obra para o modal rodoviário diante do envelhecimento da população. “Nunca deixaremos de ter o rodoviário como fator determinante no modelo logístico do Estado, mas temos o desafio de fazer a migração do modelo do biodiesel e do biometano como elemento fundamental para adequação das nossas frotas”, afirmou.
“Temos que transportar passageiros nas estradas, não cargas”, ressaltou a presidente do Sindienergia-RS, Daniela Cardeal, que mediou o painel. Para ela, a questão da segurança energética a longo prazo está diretamente ligada à expansão das fontes renováveis. “Quando falamos em ampliação de matriz, os maiores projetos estão ligados às renováveis.”
Ritter destacou os investimentos em dragagem e desassoreamento de corpos hídricos do Estado. “Não tenho dúvida de que o Rio Grande do Sul está no caminho correto, explorando os seus recursos naturais, seja hidrovias, potencial eólico, hídrico, com muita responsabilidade.”
Já Balbinot abordou a descarbonização do transporte de cargas na indústria e a importância de soluções locais. “Tem muita coisa vindo de fora e a gente não pode perder o protagonismo. Até porque o produto que vem de fora não está preparado para as nossas estradas, nossas cidades, não entende a cultura que temos de uso de produto.”
Fonte: Correio do Povo