Nos anos 1980, o Rio Grande do Sul demonstrou sua capacidade de planejar e implantar um dos maiores complexos industriais da América Latina: o Polo Petroquímico de Triunfo. Quatro décadas depois, o Estado tem diante de si a oportunidade de viabilizar um novo marco de desenvolvimento, desta vez na indústria de celulose.
O Projeto Natureza, da CMPC, enfrenta um impasse jurídico que interrompeu o processo de licenciamento ambiental da futura fábrica de celulose em Barra do Ribeiro. Com investimentos estimados em R$ 27 bilhões, trata-se do maior projeto privado da história da companhia e um dos mais relevantes atualmente em análise no Brasil. A paralisação adia um empreendimento com potencial para gerar até 12 mil empregos durante as obras e impulsionar o desenvolvimento da Metade Sul do Estado.
A CMPC é um dos maiores produtores globais de celulose e papel e mantém uma presença histórica no Rio Grande do Sul. Além de sua operação industrial, a empresa possui uma ampla base florestal, integra produtores rurais à sua cadeia e figura entre as maiores exportadoras gaúchas.
A dimensão do Projeto Natureza pode ser comparada aos grandes ciclos de investimento que marcaram a história industrial do Estado. Com R$ 27 bilhões previstos, o projeto se aproxima da escala dos maiores empreendimentos já realizados no Rio Grande do Sul. Para efeito de comparação, o Polo Petroquímico de Triunfo possui ativos avaliados em cerca de R$ 100 bilhões. Os setores de papel e celulose e de petroquímica estão entre os mais importantes polos industriais gaúchos, ambos com forte vocação exportadora e grande capacidade de geração de empregos.
O desafio é conciliar segurança jurídica, rigor ambiental e previsibilidade para os investimentos. Afinal, da petroquímica à celulose, o Rio Grande do Sul já mostrou que sabe construir grandes projetos. O Polo de Triunfo foi um símbolo de transformação econômica. O Projeto Natureza pode representar uma nova oportunidade para ampliar a competitividade, a geração de renda e o desenvolvimento regional do Estado.
Fonte: Correio do Povo