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Cotação da soja sobe ao maior patamar no ano

Projeção de consultoria é de que os “fundamentos são bastante altistas” também para os próximos meses

No melhor momento de julho na Bolsa de Chicago, a cotação da soja superou a casa de US$ 12,50 o bushel
No melhor momento de julho na Bolsa de Chicago, a cotação da soja superou a casa de US$ 12,50 o bushel
Foto : CNA / Divulgação / CP

O mês que terminou na sexta-feira foi o melhor período do ano para as cotações da soja no mercado interno. Os preços subiram nas principais praças brasileiras, como na gaúcha Passo Fundo, cuja saca passou de R$ 129,00 para R$ 140,00 durante o mês, segundo Safras & Mercado.

A consultoria justificou o aumento pelos indicadores nacionais acompanharem os preços futuros na Bolsa de Chicago, assim como na melhora do ritmo de negócios (ainda que o câmbio tenha sido desfavorável) e na firmeza dos prêmios nos portos.

Segundo a consultoria, além do preço no município gaúcho, em Cascavel (PR) o valor saltou de R$ 124,00 para R$ 134,00, em Rondonópolis (MT) avançou de R$ 115,00 para R$ 127,00, enquanto no Porto de Paranaguá aumentou de R$ 135,00 para R$ 145,00.

“Em Chicago, os contratos com vencimento em novembro, os mais negociados, apresentaram alta mensal de 4,26%, sendo negociados, na manhã do dia 31, a US$ 11,92 por bushel (unidade correspondente a 27,22 quilos). No melhor momento de julho, a cotação superou a casa de US$ 12,50, se colocando nos melhores patamares em mais de dois anos”, complementou a consultoria.

“Basicamente, foi o melhor momento de preços do ano”, sintetiza o comportamento do mercado no mês passado Rafael Silveira, analista e consultor de Safras & Mercado. E o especialista projeta o seguinte:

“A expectativa é que ainda tenhamos cotações mais altas. Acredito que devemos ter preços melhores ainda, porque os fundamentos são majoritariamente mais altistas do que de baixa. Nesse momento, não vejo nenhuma movimentação que mude a expectativa. Pelo menos no curto prazo está bom para a soja.”

Silveira descreve que o grão teve uma sazonalidade bastante ruim nos dois primeiros trimestres do ano, visto a alta oferta do grão no mercado, com valores da saca no porto entre R$ 126 e R$ 128 no “auge da boca da colheita”.

“Agora, o mercado deu uma subida boa”, lembra, mesmo que na semana passada houve uma queda de R$ 5,00 a R$ 7,00 para a saca no porto.

“Isso tem um reflexo no mercado interno (queda). Ainda assim, os preços são relativamente bons frente ao que vimos historicamente este ano”, esclarece. “Os fundamentos ainda são bastante altistas, e ainda pode ter movimentos melhores de preço no mercado físico.”

Explicação em Chicago

O consultor explica que o principal motivo da alta é o aumento da cotação da commodity na Bolsa de Chicago, que referencia o preço para todo o mercado mundial, com a cotação no patamar de US$ 12,50 o bushel. E a justificativa para o valor é a onda de calor e tempo seco nas lavouras americanas. “Isso traz preocupações no mercado”, conclui.

“Pode ser que (o clima) traga ajustes de produtividade pra safra americana. Isso impacta o quadro de produção, mexe no quadro de estoque de passagem e acaba colocando um potencial negativo nesse quadro de oferta e demanda dos Estados Unidos.”

Da mesma forma, também houve uma demanda mais intensa no mercado pelo retorno da China às compras do grão americano. E também o esmagamento interno dos Estados Unidos cresceu, o que levou a pressão nos contratos em bolsa.

Mercado interno

No mercado brasileiro as exportações aquecidas ajudam a dar sustentação aos preços. Silveira lembra que é alta a demanda de porto, com mais de 90 milhões de toneladas já embarcadas ou em vias de partida.

“Uma situação de demanda bastante intensa. O Brasil pode, inclusive, superar o nível de exportações do ano passado (108,68 milhões de toneladas), que foi um nível recorde, uma situação que traz também muita firmeza nos prêmios de exportação”, lembra.

Conforme ele, o câmbio, apesar de ser uma variável volátil, na casa de R$ 5,10 a R$ 5,20, ainda assim não provocou nenhum impacto negativo. “Pelo contrário: houve momentos até que o câmbio ajudou essa formação de preço”, diz.

Próxima safra

Sobre o ciclo 2026/2027, apesar das incertezas do fenômeno El Niño, Safras & Mercado prevê aumento de área em nível nacional, ainda que esta não seja a previsão para o Rio Grande do Sul.

“Eu diria que não há muito espaço pra isso (expansão no RS), porque o produtor gaúcho vem sofrendo bastante. Os custos de produção estão mais altos, as dificuldades de crédito também aumentaram, não só o custo caro do crédito, mas a obtenção desse crédito”, entende.

“Esperamos, sim, que o Brasil tenha, de maneira geral, aumentos de área em algumas regiões. Isso aumenta o potencial da produção, mas reduzimos um pouco a expectativa de produtividade porque podemos ter menor uso de tecnologia para a safra nova”, complementa, referindo-se à elevação dos custos dos insumos causados pelo conflito no Oriente Médio.

Fonte: Correio do Povo

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