Estimativa do Levantamento de Safra de julho, anunciado nesta terça-feira, é 46,3 mil hectares inferior a de um mês atrás, e 24% menor que o cultivo de 2025

Foto : Elisson Stephânio Savi Pauletti / Embrapa Trigo / Divulgação / CP
A Conab divulgou nesta terça-feira, 14, seu 10º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, que apontou uma redução ainda maior para a área destinada ao trigo nas lavouras gaúchas: 46,3 mil hectares a menos que o projetado um mês atrás, no 9º levantamento.
Ou 879,2 mil hectares na recente previsão ante 925,5 mil na anterior. E também caiu a estimativa de produção: de 2,706 milhões de toneladas para 2,582 milhões. Já a produtividade segue mantida em 2.924 quilos por hectare.
Se confirmados os números projetados pela estatal, a área gaúcha do cereal será 24% inferior à da safra 2025, então em 1,156 milhão de hectares, além de queda de 28,2% no volume a ser colhido, que no ano passado foi de 3,583 milhões de toneladas, e ainda encolhimento de 5,6% na produtividade, em 3.097 quilos por hectare no período anterior.
Também houve redução das estimativas do cereal para todo o Brasil, de 2,117 milhões de hectares no anúncio de junho para 2,037 milhões no recente, e de 6,297 milhões de toneladas no mês passado para 6,026 milhões neste. E uma pequena variação para baixo na produtividade: 2.974 quilos/hectare para 2.959 quilos.
Plantio em 85% da área
No levantamento a companhia ainda descreveu o andamento do cultivo no Estado.
“Favorecida pelas condições meteorológicas, a semeadura avançou rapidamente em grande parte do estado, alcançando 85% da área prevista, sendo aproximadamente 25% das lavouras em emergência e 75% em desenvolvimento vegetativo. Até o momento, as lavouras implantadas apresentam bom estabelecimento, com emergência uniforme, boa sanidade e baixa incidência de pragas e doenças neste início de ciclo.”
Conforme a empresa, no Noroeste o plantio foi concluído, e as lavouras apresentam boa germinação e emergência. Nos polos de Ijuí, Cruz Alta e Tupanciretã, o avanço ocorreu de forma mais lenta devido às chuvas frequentes de junho, que dificultaram a entrada das máquinas nas áreas. “Parte das áreas inicialmente destinadas ao trigo foi ocupada por culturas de cobertura e canola, explicando a redução da área cultivada na região”, ressaltou.
No leste do Planalto Médio, na Depressão Central e na Serra Gaúcha, o tempo seco e a boa umidade do solo permitiram que boa parte dos produtores concluísse a semeadura dentro da janela recomendada. E as primeiras lavouras já iniciam o perfilhamento, enquanto os produtores dão sequência aos primeiros tratos culturais.
Já no Planalto Superior, a semeadura iniciou no final de junho e deverá ser concluída ao longo deste mês. As primeiras áreas ainda se encontram em emergência, enquanto parte dos produtores finaliza o preparo do solo. “O plantio mais tardio é uma estratégia adotada na região para reduzir o risco de geadas durante o florescimento”, explica.
“As estimativas iniciais indicam maior potencial produtivo no Planalto Superior em comparação ao leste do Planalto Médio. Entretanto, o menor investimento em tecnologia e as incertezas quanto às condições climáticas ao longo do ciclo mantêm cautela nas expectativas para a safra.”
Na Campanha, a área cultivada apresenta redução em relação à safra passada. A semeadura segue em andamento, e parte das áreas anteriormente ocupada com trigo foi destinada à pecuária e a pastagens de inverno.
E na região Sul, observa-se “a maior retração de área do estado”, esclarece a Conab. “A semeadura avança gradualmente, e as lavouras encontram-se predominantemente em emergência e desenvolvimento vegetativo, com evolução mais lenta em virtude da menor radiação solar”, complementa.
Canola: 100% implantada
A Conab destaca ainda que a safra de canola apresenta um incremento na área cultivada em relação à safra passada, ou 366,3 mil hectares ante 209,9 mil em 2025 (+74,5%).
“A semeadura, que avançou significativamente em maio, atingiu 100% da área estimada e foi totalmente concluída ao longo de junho, visto que 99% está em desenvolvimento vegetativo e 1% já está em florescimento”, informa.
“O estabelecimento inicial das lavouras é considerado satisfatório, apresentando população de plantas adequada às recomendações técnicas, bom vigor e potencial produtivo mantido. Não foram registrados relatos de danos significativos decorrentes de geadas até o presente momento do ciclo. No panorama fenológico, predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo, com algumas áreas tardias ainda em fase de emergência”, complementa.
Fonte: Correio do Povo