Precipitações frequentes prejudicam o tratamento fitossanitário, assim como baixa luminosidade e temperatura mais alta favorecem a incidência fúngica

Foto : Vladirene Macedo Vieira / Embrapa Trigo / Divulgação / CP
A área de trigo no Rio Grande do Sul deverá encolher em 31,3% ante a do ano passado, ou queda de 1,156 milhão para 794 mil hectares, segundo o 11o Levantamento da Safra de Grãos da Conab, anunciado na semana passada.
E a produção encolhe, de 5,582 milhões para 2,324 milhões de toneladas, ou -35,1%, conforme a mesma projeção.
Além disso, outra circunstância poderá comprometer ainda mais a produção gaúcha: as chuvas intensas e frequentes.
“O clima ganhou importância nas perspectivas para a nova safra gaúcha. O excesso de chuvas dificulta os tratos culturais e, combinado à baixa luminosidade e temperaturas favoráveis, aumenta o risco de doenças”, informa a consultoria Safras & Mercado.
Conforme o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar de sexta-feira, 14, a elevação das temperaturas acelerou o crescimento e antecipou as fases de elongação do colmo, espigamento e início do florescimento em parte das lavouras.
“Em áreas submetidas a chuvas frequentes, à elevada nebulosidade e à baixa radiação solar, observa-se maior alongamento das plantas, redução da coloração foliar e, em alguns casos, desenvolvimento vegetativo aquém do potencial, associado também à lixiviação de nitrogênio”, descreve ainda.
“Em termos fitossanitários, a elevada umidade tem proporcionado condições favoráveis à incidência de manchas foliares, aumentando a atenção fitossanitária nas lavouras que ingressam no estágio de florescimento, especialmente pelo risco de giberela. A incidência de insetos-praga continua baixa, e a sanidade geral é considerada satisfatória.”
Mercado
“Até que haja maior definição sobre produtividade e, principalmente, qualidade da próxima safra, os vendedores tendem a preservar suas indicações”, destaca Elcio Bento, analista da consultoria, como se comportou o mercado na semana passada.
Assim, o mercado brasileiro do cereal encerrou a semana com baixa liquidez e cotações firmes, mas sem espaço para avanços mais consistentes.
“A limitada oferta de cereal de melhor qualidade sustentou as referências, mas a postura cautelosa dos moinhos manteve os negócios pontuais”, esclarece a consultoria.
No Estado as referências permaneceram entre R$ 1.300 e R$ 1.350 por tonelada, dependendo da localização e da qualidade.
“Os lotes de melhor padrão seguem mais sustentados. Já os cereais com especificações inferiores apresentam menor fluidez comercial.”
Fonte: Correio do Povo