Doenças sanguíneas podem agravar risco de outras condições de saúde
Foto : Mauro Schaefer / CP Memória
De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 30% da população mundial sofre de algum tipo de anemia, enquanto o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que entre 2025 e 2028 sejam registrados mais de 12,2 mil novos casos de leucemia no Brasil a cada ano. A campanha Junho Laranja busca promover a conscientização e o tratamento de doenças do sangue, das quais, as principais são a leucemia e as anemias.
Apesar de ambas serem relacionadas a problemas no sangue, as duas doenças não estão relacionadas. Enquanto a leucemia é um tipo de câncer que começa nas células tronco da medula óssea, as anemias são um conjunto de doenças que podem ter causas crônicas, hereditárias ou até, em casos mais comuns, estarem relacionadas a deficiências nutritivas.
Diagnóstico
As anemias são indícios de alerta de que o sangue não está conseguindo transportar o oxigênio adequadamente por uma redução de uma proteína presente nos glóbulos vermelhos: a hemoglobina. As causas da doença podem também podem ter origem em problemas na medula óssea, mas os casos mais comuns, estão relacionados a deficiência em ferro e vitamina B12. Já a anemia falciforme é uma variante hereditária da doença, que acomete cerca de 8% da população preta e parda do Brasil.
A identificação da condição é realizada através de um exame de sangue, o hemograma, que mede os níveis de hemoglobina e avalia as células de sangue. “A partir do hemograma e da avaliação clínica completa do paciente, outros exames adicionais podem ser necessários para a investigação da causa, tais como exames de ferro, vitaminas, função renal, marcadores inflamatórios e, em alguns casos, avaliação da medula óssea ou investigação de sangramentos ocultos”, conforme explica a hematologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Júlia Portich.
A condição também pode ser um indicativo da gravidade de outras doenças enfrentadas pelo paciente. Pessoas que tratam diferentes tipos de câncer, insuficiência renal, infecções crônicas, insuficiência cardíaca e doenças autoimunes podem desenvolver anemia associada a essas enfermidades e aumentar o risco de complicações. Por isso, a importância de não apenas identificar a ocorrência, mas a causa.
Nutrição
As manifestações podem ser leves ou mais graves exigindo tratamento contínuo e acompanhamento especializado. A manifestação mais comum da doença é a deficiência em ferro que acomete cerca de 21% das crianças menores de cinco anos. O número corresponde a aproximadamente 3 milhões de pacientes pediátricos de acordo com o levantamento da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde.
Além da deficiência em ferro, a falta de zinco e vitamina B12 também podem estar relacionadas a baixa contagem de hemoglobinas. O zinco podem ser encontrados em uma dieta equilibrada, como cereais (arroz, feijão, lentilha e grão de bico) além de frango e carne vermelha, que também pode ser fonte da vitamina B12.
“Ferro, vitamina B12, ácido fólico e proteínas são fundamentais para a produção saudável das células sanguíneas”, afirma a especialista que defende a alimentação como uma das principais ferramentas de prevenção das anemias nutricionais. Além disso, a hidratação e atividades físicas ajudam a promover a saúde cardiovascular e no bem-estar, porém, dependendo da gravidade da anemia, o paciente pode ter limitação de esforço e precisa de avaliação médica antes de praticar exercícios intensos.
Sintomas
Entre os sintomas estão o cansaço além do normal, falta de ar, tontura, fraqueza, palpitações, sonolência e dificuldade de concentração de acordo com o que destaca a especialista do HCPA. “Quando persistente, a anemia pode afetar rendimento escolar, produtividade, qualidade de vida e até sobrecarregar coração e pulmões, principalmente em idosos e pessoas com doenças crônicas”, alerta a especialista.
Apesar dos hábitos saudáveis serem aliados no tratamento, é importante que o paciente procure atendimento médico e evitem a automedicação, conforme defende a hematologista. “Casos mais graves podem exigir transfusões de sangue ou terapias específicas. Por isso, automedicação não é recomendada. Tomar ferro sem diagnóstico pode mascarar doenças importantes”, adverte. Em alguns casos, é necessário fazer o tratamento de doenças inflamatórias, renais ou hematológicas associadas.
Leucemia
O diagnóstico da leucemia é feito a partir do exame chamado mielograma, que consiste na retirada do material da medula óssea para fazer análises. A doença é um tipo agressivo de câncer que pode se manifestar de forma aguda ou crônica. A tipificação da doença é detectada pelo exame de imunofenotipagem, que irá indicar quais opções de tratamento para o caso específico.
Além disso, o paciente passa por uma análise genética que identifica fatores de risco que podem estar relacionados ao prognóstico. As causas da condição não são conhecidas, porém alguns hábitos podem favorecer o desenvolvimento de células cancerígenas na medula óssea, o que causa a doença e compromete as funções do organismo.
Entre as formas de tratamento está o transplante de medula óssea, que substitui as células afetadas por saudáveis, possibilitando a regeneração do sistema imunológico além de aumentar as chances de remissão. No entanto, essa solução esbarra no limitado número de doadores de medula óssea e, consequentemente, na compatibilidade.
Outra opção, é o tratamento com medicamentos, que depende do tipo de leucemia, idade e condições genéticas de cada paciente. No início deste mês, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), aprovou a inclusão de um novo tratamento para a doença, que combina dois medicamentos e deve ser coberto pelas operadoras de plano de saúde em todo o país.
Fonte: Correio do Povo