Os aposentados sofrem assédio constante com oferta de empréstimos não solicitados.
O país ainda enfrenta as consequências legais, políticas, sociais e econômicas da chamada “Farra do INSS” e parte dos principais atores já está agindo novamente com força total, atuando em supostas brechas legais para infernizar a vida de aposentados e outros beneficiários da Previdência. Volume enorme dos recursos desviados dos bolsos dos aposentados o foi, então, pelos chamados empréstimos consignados feitos contra a vontade dos beneficiários com subterfúgios legais e ilegais, pressões e uso de informações e autorizações escandalosamente obtidas por instituições financeiras de todos os matizes junto a agentes públicos do INSS, vários deles submetidos posteriormente a investigações e condenações que ainda hoje afetam carreiras políticas. Autoridades prometeram adotar instrumentos coercitivos às fraudes e à disseminação de informações pessoais para agentes do setor financeiro e indenizações foram pagas às vítimas enganadas.
Pois, agora, como estão fartos de saber, especialmente novos beneficiários, velhos conhecidos estão de volta, assediando pessoas sem qualquer pudor quanto à paz e à economia alheias. A simples concessão de uma pensão mínima é razão para uma fila de assediadores apresentar-se ao beneficiário, muitas vezes antes mesmo de ele próprio saber da concessão, principalmente por meios telefônicos, insistindo abusivamente no oferecimento de empréstimos não solicitados, mesmo que o registro do benefício já contenha a observação de bloqueio. Propostas enganosas, como a mentira de que o banco ofertante quer apenas fazer um pagamento para a vítima, proliferam nos ouvidos dos beneficiários. Não são poucos os relatos de pessoas que se veem obrigadas a manter seus telefones desligados ou com bloqueios prejudiciais às suas relações como única forma de minimizar o assédio abusivo dos “vendedores de empréstimos”, muitos apresentando-se como representantes de instituições bancárias sólidas, que parecem inermes ao uso de seu nome em ações injustificáveis. Parece que se aproxima o dia em que o contribuinte será chamado, novamente, a custear as indenizações e prejuízos causados pela continuação da farra com os recursos da população, alimentando um ciclo de saques ao bolso dos desprotegidos.
Fonte: Correio do Povo