A estimativa de ampliação é do nono levantamento de safra da companhia, divulgado nesta terça-feira, superior ao percentual de 30% previsto em maio

Foto : Fernando Dias / Seapi / CP
O nono levantamento da safra 2026/2027, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira, 11, estima que a área de canola no Rio Grande do Sul será 52% superior à da safra passada.
Expansão de 209,9 mil hectares em 2025 para 320,1 mil neste ano. No levantamento anterior, em maio, a previsão da Conab era de 273 mil hectares, expansão de 30%.
E a semeadura, segundo a companhia, já atinge 82% da área projetada, com os agricultores aproveitando a janela preferencial recomendada para a implantação da cultura.
As áreas se encontram com 67% em emergência e 33% em desenvolvimento vegetativo.
“De modo geral, o processo de germinação e o desenvolvimento inicial das lavouras são considerados satisfatórios. No entanto, os elevados volumes de chuva registrados no início de maio provocaram o selamento superficial do solo e a consequente formação de crostas compactas”, descreve.
“Esse fenômeno físico prejudicou a força de emergência das plântulas, resultando em um estande de plantas desuniforme e gerando a necessidade pontual de replantio em algumas propriedades.”
Conforme a Conab, diante do risco de chuvas excessivas causadas pelo fenômeno El Niño, os produtores têm escolhido nas propriedades os ambientes em terrenos de relevo ondulado e com boa drenagem natural.
“Essa prática visa diminuir a incidência de doenças radiculares e foliares, associadas ao encharcamento do solo e aos altos índices de umidade”, justifica.
A Conab considera que o “cenário técnico para a cultura segue promissor e estima uma produtividade de 1.619 quilos/hectare.
Trigo: “menor interesse”
Já quanto ao trigo, a Conab aponta retração de área do Rio Grande do Sul, “refletindo o menor interesse dos produtores pela conjuntura econômica da cultura menos favorável”. A previsão é de queda de área em 20%, de 1,156 milhão para 925 mil hectares.
“Até o momento, os trabalhos de campo avançam em ritmo inicial, com as primeiras lavouras implantadas encontrando-se em fase de germinação e emergência. Observa-se postura conservadora em relação ao potencial produtivo da safra, associada ao menor aporte tecnológico e à redução dos investimentos em insumos”, retrata a estatal.
“Destaca-se, ainda, a diminuição na utilização de sementes certificadas e o aumento do uso de sementes salvas. As estimativas de produtividade seguem baseadas em parâmetros estatísticos baseados na série histórica e em prognóstico climático.”
“A retração da área e do investimento tecnológico está associada, principalmente, às sucessivas frustrações de safra e às incertezas relacionadas à conjuntura econômica da cultura. Soma-se a isso, a preocupação com possíveis impactos climáticos decorrentes do El Niño, que pode favorecer a ocorrência de chuvas excessivas durante fases importantes do desenvolvimento da cultura”, justifica.
Fonte: Correio do Povo