Notícias

Agro gaúcho amplia as exportações em quase 40% em abril

Destaque à soja em grão, que embarcou 122,7% a mais, e também à China, que retomou o posto de principal destino dos embarques do agronegócio

Na soja, a principal alta se deu pelo mercado chinês, com ganho de US$ 64 milhões, além da entrada de Taiwan e Irã
Foto : Rodrigo Leal / Divulgação Appa / CP

O Rio Grande do Sul ampliou as exportações do agronegócio em 37,6% no valor e em 59,3% no volume em abril na comparação ao mesmo mês do ano passado: 1,17 bilhão de dólares em comparação com 848,8 milhões em abril do ano passado, e para 1,78 milhão de toneladas. Entre os períodos houve aumento não apenas do volume, mas também valorização dos preços.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), que ainda destacou o agro, em abril, como responsável por 67% das negociações de toda a economia do Estado (em 1,74 bilhão de dólares) e em 86,4% do volume.

A China voltou a ser o principal destino dos embarques (que em março fora do Egito), com US$ 214,7 milhões, representando 18,4% do valor exportado pelo agronegócio gaúcho em abril. Na sequência, destaque a Estados Unidos (8%), Vietnã (6,8%), Índia (5,4%) e Coreia do Sul (4,2%), “o que mostra a continuidade da diversificação geográfica da pauta, mas com maior reaproximação da China em relação ao padrão observado no primeiro trimestre”, destaca a entidade.

Soja, milho e proteína animal

Conforme a Farsul, o resultado foi sustentado principalmente por soja em grãos, milho, óleo de soja bruto, celulose e farelo de soja, além de altas em carne suína, bovinos vivos e carne bovina. A soja teve forte reação, puxado por soja em grãos, farelo e óleo: em grãos o RS exportou US$ 172,4 milhões e 405,6 mil toneladas, com alta de 122,7% em valor e 106,4% em volume.

“Em sentido contrário, fumo não manufaturado, trigo, arroz, calçados de couro e couros preparados limitaram um avanço ainda mais forte no mês. O quadro de abril indica retomada mais ampla da pauta, com recuperação do grão e dos derivados da soja, combinada à continuidade do bom desempenho das proteínas animais”, esclarece.

No conflito comercial com os Estados Unidos, o país foi o segundo principal destino do agro gaúcho no mês, com US$ 93,7 milhões. A presença americana aparece especialmente em celulose, arroz, carne bovina, móveis de madeira, fumo e frango.

“O mercado americano permaneceu relevante mesmo após a transição para a tarifa global de 10%, mas a interpretação causal ainda exige cautela, porque os fluxos de abril seguem refletindo contratos e decisões logísticas iniciados anteriormente”, avalia a entidade.

Os principais parceiros comerciais do estado em março foram a Ásia (excluindo Oriente Médio), que se manteve como o principal destino, totalizando US$ 572,3 milhões e 1,03 milhão de toneladas. Em segundo lugar a Europa, com exportações de US$ 168,1 milhões e 187,1 mil toneladas, enquanto a América do Norte ocupou a terceira posição, com US$ 114,6 milhões e 109,2 mil toneladas.

2026 versus 2025

E o acumulado de janeiro a abril, as exportações somaram 4,26 bilhões de dólares, alta de 3,5% frente aos 4,12 bilhões de igual período de 2025. Em volume, o avanço foi de 3,8%, de 6,65 milhões para 6,91 milhões de toneladas.

“O trimestre ampliado até abril mostra uma mudança relevante em relação ao quadro observado até março: a forte recuperação de milho, soja em grãos, óleo de soja em bruto, farelo de soja, bovinos vivos, carne suína, arroz e carne bovina mais do que compensou as perdas acumuladas em fumo não manufaturado, trigo, celulose, calçados de couro e couros preparados”, explica a Farsul.

“O fluxo exportador do agronegócio gaúcho também mostrou mudança relevante na composição dos principais mercados. A China seguiu como principal destino, mas com participação menor do que em 2025, passando de aproximadamente 18,8% para 13,6% do valor exportado no acumulado. Ao mesmo tempo, ganharam peso Filipinas, Egito, Turquia, Índia e Países Baixos, enquanto Indonésia permaneceu relevante”, acrescenta.

“Assim, o acumulado de 2026 difere de 2025 por uma pauta menos concentrada nos destinos tradicionais do fumo e do trigo e mais apoiada em proteínas animais, soja e milho, embora a Ásia continue sendo o principal eixo da inserção externa do agro gaúcho.”

Desempenho por produtos

Bovinos vivos: cresceram 65,3% em valor e 42,3% em volume. A Turquia concentrou praticamente todo o fluxo do mês, respondendo pela quase totalidade dos embarques. O resultado reforça a centralidade do mercado turco para o gado em pé gaúcho e indica continuidade da demanda externa nesse segmento, ainda que com pauta bastante concentrada.

Carne bovina: os embarques in natura cresceram 41,9% em valor e 14,5% em volume. A China voltou a ser o principal vetor da alta, com avanço de US$ 12,7 milhões, além de contribuições de Rússia, Hong Kong, Itália e Países Baixos. Em sentido contrário, houve recuo para Estados Unidos e alguns mercados de menor peso. A demanda chinesa continuou relevante, mas o mercado opera sob maior restrição em 2026. A China passou a aplicar tarifa adicional de 55% acima da cota anual, e a cota brasileira foi fixada em 1,106 milhão de toneladas, o que pode limitar a tração desse destino ao longo do ano.

“O ganho de valor bem superior ao de volume sugere melhora de preço e de mix, em um pano de fundo ainda favorável à proteína no curto prazo, mas com risco crescente para os meses seguintes. Mantido o ritmo observado no início do ano, o esgotamento da cota passou a ser visto pelo setor como risco concreto ainda no primeiro semestre, o que reforça o caráter mais tático da melhora de abril”, detalha a entidade.

Carne de frango: a carne in natura cresceu 2,6% em valor, mas recuou 1,6% em volume. Os ganhos em Países Baixos, China, Kuwait, Japão e Canadá compensaram as perdas em Emirados Árabes Unidos, México, Iêmen, Iraque e Egito. Abril foi um mês de relativa estabilidade para o frango gaúcho, com recomposição parcial para destinos da Ásia e da Europa, mas ainda sob impacto da menor tração em parte do Oriente Médio e do Norte da África. “No pano de fundo nacional, as exportações brasileiras de carne de frango seguiram crescendo mesmo com a crise no Oriente Médio, indicando demanda externa firme, ainda que sob rerroteamento logístico, custos mais altos e maior incerteza para embarques destinados à região.”

Carne suína: cresceram 31,8% em valor e 33% em volume. As Filipinas continuaram sendo o grande motor do mês, com ganho de US$ 8,1 milhões, além de contribuições de Malásia, Vietnã, África do Sul e Chile; em sentido contrário, houve queda para Singapura, Hong Kong e China. O resultado gaúcho se alinha ao pano de fundo nacional observado em março, quando as exportações brasileiras de carne suína bateram recorde histórico, também puxadas pelas Filipinas. “Trata-se de uma expansão robusta e ainda muito dependente da Ásia, mas com base geográfica mais diversificada do que em anos anteriores.”

Arroz: o segmento recuou 17,5% em valor e 21,3% em volume. A principal perda veio de Costa Rica e Países Baixos, além de recuos em Portugal e outros mercados menores; em contrapartida, houve avanço para Cuba, Peru e Estados Unidos. Abril foi mais fraco do que o mesmo mês de 2025 tanto em valor quanto em volume, o que indica retração efetiva dos embarques e não apenas piora de preço.

“O Cepea indicou que abril terminou com baixa liquidez no mercado gaúcho, apesar de alguma recomposição de preços, mostrando que o escoamento seguia travado e heterogêneo entre regiões e qualidades. A média de preço mensal de abril foi a mais alta desde setembro de 2025, mas a melhora de preços ainda ficou muito aquém ao necessário, não sendo suficiente para destravar os negócios, em um ambiente ainda marcado por leilões de apoio e disparidades regionais

Trigo: recuaram 68,3% em valor e 68,6% em volume. A principal perda veio da Nigéria, que havia concentrado embarques excepcionais em abril de 2025; houve alguma compensação com a retomada das vendas para o Vietnã, mas insuficiente para neutralizar a base elevada do ano anterior”, explica a Farsul.

“O mercado internacional continuou marcado por ampla oferta e forte competição entre grandes exportadores, mantendo pouca margem para uma postura exportadora agressiva do trigo brasileiro. O USDA seguiu apontando, em abril, comércio mundial sustentado pela maior oferta dos principais exportadores. Leitura: o resultado de abril parece muito mais associado à não repetição de um embarque excepcional de 2025 do que a um choque pontual de demanda no mês corrente.”

Complexo soja: reagiu bastante puxado por soja em grãos, farelo e óleo. Na soja em grãos, o RS exportou US$ 172,4 milhões e 405,6 mil toneladas, com alta de 122,7% em valor e 106,4% em volume.

A principal alta veio da China, com ganho de US$ 64 milhões, além da entrada de Taiwan e Irã. Nos derivados, o farelo de soja cresceu 22,2% em valor e 19,8% em volume, impulsionado por Irã, Coreia do Sul, França e Vietnã, apesar das perdas em Tailândia, Indonésia e Omã. Já o óleo de soja em bruto voltou a ganhar destaque, com US$ 54,2 milhões praticamente concentrados na Índia.

“Diferentemente de março, abril já encontrou uma safra mais presente no mercado. Em 16 de abril, a colheita da soja no RS atingia 50% da área, e em 30 de abril já alcançava 79%, embora ainda com elevada heterogeneidade produtiva e perdas qualitativas em parte das áreas, ou seja, abril marcou a transição entre um mercado ainda comprimido por estoque de passagem curto e um ambiente de entrada mais efetiva da nova safra, ainda que de forma desigual entre regiões”, segundo a entidade.

“A reação do complexo em abril reflete a transição para um ambiente de maior disponibilidade física do grão, reduzindo a pressão do estoque de passagem curto que havia marcado março. Fumo e seus produtos: No RS, o grupo recuou, com destaque para o fumo não manufaturado, que caiu 9,0% em valor e 5,0% em volume. As principais perdas vieram de Turquia, Itália, China, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos, parcialmente compensadas pelos ganhos em Indonésia, Vietnã, Tunísia e Polônia”, acrescenta.

“Como o valor caiu mais do que o volume, o resultado sugere uma composição menos favorável de mercados e preços médios, ainda que sem retração abrupta das quantidades embarcadas. Em outras palavras, abril foi mais fraco economicamente do que fisicamente.”

Produtos florestais: mostrou reação positiva, puxada principalmente por celulose, madeira serrada, madeira em estilhas ou em partículas, móveis de madeira e painéis. Na celulose, houve alta de 36,8% em valor e 15,1% em volume, com destaque para Estados Unidos, China, Japão e Itália, apesar dos recuos em Emirados Árabes Unidos e África do Sul. A madeira em estilhas ou em partículas também avançou, partindo de base mais baixa de 2025.

Embora o ambiente asiático para wood chips tenha seguido menos favorável no agregado, com queda de 9,8% das importações chinesas em 2025 e recuo do fluxo combinado para os principais polos asiáticos de papel e cartão, abril mostrou que o RS voltou a embarcar esse item em patamar superior ao do mesmo mês do ano anterior. Diferentemente de março, abril foi um mês de recomposição positiva do bloco florestal, sobretudo por celulose e wood chips.

Fonte: Correio do Povo

About Rádio Cidade

No information is provided by the author.