
Os R$ 195 milhões oferecidos pelo Sicredi/RS em créditos emergenciais para as linhas de financiamento do Pronaf e Pronamp, destinados ao agricultor gaúcho atingido pela enchente de maio, têm tido baixa procura. O presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port, adiantou que apenas 20% do valor disponível já foi demandado pelos produtores e explicou a razão. “Os produtores têm, no momento, pouco interesse em fazer investimentos em maquinário. A prioridade é recuperar o solo. Não há porque comprar um trator que não pode entrar em lavouras tomadas pelo lodo. Nem comprar uma colheitadeira se o agricultor sequer sabe se vai conseguir plantar”, comentou.
O Sicredi reuniu na manhã de terça-feira entidades do agro, empresariais e da sociedade civil para debater a recuperação do Estado após a tragédia climática. Na avaliação da cooperativa de crédito, o impacto da catástrofe é de pelo menos R$ 23 bilhões, considerando perdas em empresas, estruturas habitacionais e no agro. Instituição financeira mais antiga do Brasil, fundada em 1902, o Sicredi já liberou um total de R$ 3,5 bilhões em créditos emergenciais para reconstrução dos municípios desde o início de junho. Apenas em solo gaúcho, a marca Sicredi tem 38 cooperativas que atendem em 87 municípios. No Brasil, o número de cooperativas chega a 104, com um total de 8 milhões de associados.
Port ressalta o papel relevante das cooperativas de crédito no reerguimento das comunidades. Cita como exemplo o município de Cruzeiro do Sul, com pouco mais de 11 mil habitantes, onde 50% da população é associada ao Sicredi. “Essas pessoas têm a confiança em sua cooperativa e sabem que serão acolhidas”, diz o presidente. Segundo ele, um fenômeno reconhecido a partir da pandemia demonstra que as cooperativas crescem em situação de crise. “Não parece um bom motivo para crescer, mas a realidade é que acontece nesses momentos desafiadores e reflete a confiança das pessoas no sistema cooperativo”, pondera.
Para Port, as operações de custeio da agricultura que serão feitas com recursos do Plano Safra e daquilo que o Sicredi costuma oferecer a cada ciclo devem se manter normais ou próximas da normalidade. “Claro que neste ano teremos de tomar alguns cuidados, como a análise de crédito, pois sabemos que a inadimplência vai aumentar, assim como o desemprego”, adianta. O presidente faz questão de salientar que a meta do cooperativismo gaúcho é a “reconstrução transformadora”. Ele esclarece que a experiência mundial mostra que em situações de catástrofe há comunidades que não voltam ao que eram, as que conseguem retornar ao ponto que estavam e as que se reorganizam e vão além. “Este é o nosso desafio para o Rio Grande do Sul, voltar ao que éramos e ser mais. Temos de sonhar”, conclui.
Fonte: www.correiodopovo.com.br