Mercado em todo o país atingiu R$ 6,2 bilhões em vendas em 2025, com crescimento da área tratada em 28%

Foto : Seapi / Especial / CP
O mercado de bioinsumos rompeu a barreira dos R$ 6,2 bilhões em 2025, aumento de 15% em relação ao valor de mercado do ano anterior. No mesmo período, a área tratada com bioinsumos alcançou 194 milhões de hectares, com avanço de 28% sobre 2024. O desempenho inédito reflete a ampliação do uso de tecnologias biológicas no campo, a partir do manejo integrado de pragas, impulsionada pela busca por sistemas mais eficientes e sustentáveis.
Os dados atualizados e análises foram divulgados durante coletiva de imprensa realizada pela CropLife Brasil (CLB), em São Paulo, e estão disponíveis no CropData, portal de dados da entidade.
“Quem acompanha a agricultura, sabe que o produtor enfrenta vários desafios como variabilidade de preço de commodities, de preço de produtos ou taxas de juros elevadas, que são desafios conjunturais da situação econômica e setorial do país. E existem desafios estruturais na produção, ligados à crescente pressão por soluções mais sustentáveis no campo. E os bioinsumos surgem exatamente nesse cenário, como uma tecnologia viável e integrada, para alcançar uma produção mais sustentável”, apresentou o gerente-executivo da entidade, Renato Gomides.
Mato Grosso é o estado que mais utiliza bioinsumos, puxado pelo cultivo da soja, que adota inoculantes em 90% da área da cultura. Em seguida, São Paulo e Goiás assumem os segundo e terceiro maiores mercados de bioinsumos, com 17% e 14% de área tratada pela tecnologia, respectivamente. O desempenho do estado paulista é impulsionado pelo cultivo da cana e pelos cítricos. A região de Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), crescente cinturão de produção de grãos, representa 11%. Já o Rio Grande do Sul utiliza o tipo de produto em 4% da área agrícola.
Entre os cultivos, a soja (62%), o milho (22%) e a cana (10%) são as culturas mais consolidadas no uso de bioinsumos. Além delas, o conjunto de outras culturas como algodão, café, citros e hortifruti (HF) somam, aproximadamente, 6%.
O crescimento do insumo biológico no campo está atrelado a um conjunto de fatores, como a profissionalização e expansão da indústria, a necessidade de combate a pragas resistentes pelo manejo integrado de insumos químicos e biológicos, a busca por soluções sustentáveis para a lavoura e a maior adoção do produto (em repetidas aplicações ou misturas).
Segmentos
A CropLife monitora quatro segmentos dentro do setor de bioinsumos: biofungicidas, bioinseticidas, bionematicidas e inoculantes. Com relação a área tratada no ano de 2025, a distribuição dos segmentos foi na ordem de: inoculantes (40%), bioinseticidas (24%), bionematicidas (23%) e biofugicidas (13%).
Os inoculantes (bactérias fixadoras de nitrogênio) estiveram presentes em 77 milhões de hectares no ano passado, mostrando o papel da solução na transição do país para uma agricultura de baixa emissão de carbono. Com relação ao desempenho entre anos, o destaque fica com os bionematicidas, que expandiram 16 milhões de hectares (~60%) de 2024 para 2025, consolidando-se como um mercado maduro integrado aos protocolos de manejo sustentável.
“Os bioinsumos deixam de ser uma tendência e se tornam cada vez mais uma realidade no campo, é o que reflete a confiança do produtor rural no uso dessa tecnologia. Se observarmos o crescimento do triênio (2022-2024), nós já víamos um aumento na ordem de 15% ao ano”, destacou a diretora de bioinsumos da CLB, Amália Borsari.
“Já em 2025, houve um crescimento de 28% em relação ao ano anterior, alcançando o recorde de 194 milhões de hectares. O principal destaque que temos são os bionematicidas, que tiveram aumento de 60% em área tratada, adicionando 16 milhões de hectares no ano. Esse avanço mostra como a adoção vem sendo acelerada, principalmente em culturas de larga escala.”
Com relação ao valor de mercado do insumo biológico em 2025, o movimento de crescimento é igualmente relevante, com alternância dos destaques. A ordem dos segmentos fica em bioinseticidas (35%), bionematicidas (30%), biofungicidas (22%) e inoculantes (13%). O segmento dos biofungicidas (microrganismos como bactérias e fungos) foi o que mais cresceu em valor (41%), atingindo R$ 1,4 bilhão. A tecnologia vem sendo utilizada no controle de doenças complexas como o mofo branco e a ferrugem.
Fonte: Correio do Povo