A estimativa no RS é inferior a 50 sacas/hectare, enquanto no país supera as 62
A colheita da soja nas lavouras gaúchas já avançou para cerca de 10% da área, segundo estimativas recentes de duas instituições. A produtividade prevista não chega a 50 sacas por hectare, bem aquém das mais de 62 sacas estimadas para o Brasil.
Uma das análises foi divulgada na semana pela consultoria Agroconsult, realizada no Rally da Safra, que percorreu as áreas produtoras do país, prevê 48,5 sacas/hectare no Estado, e a outra é da Emater/RS-Ascar, em seu Informativo Cultural de quinta-feira, 26, que estima o desempenho em 47,85 sacas. As condições climáticas no Rio Grande do Sul justificam a diferença gaúcha em relação à brasileira.
Em nível nacional, numa extensão de 49,1 milhões de hectares, a Agroconsult elevou a estimativa de produção para 184,7 milhões de toneladas, crescimento de 6,7% em relação ao ciclo anterior, ou 11,5 milhões de toneladas a mais, 30% decorrente do aumento de área e 70% por ganhos de produtividade.
“O novo número reflete ajustes tanto na produtividade quanto na área plantada, reforçando o cenário de mais uma grande safra no país”, destaca a consultoria. Com aproximadamente 1.700 lavouras avaliadas em 14 estados e mais de 60 mil quilômetros percorridos desde janeiro, a Agroconsult revisou a produtividade nacional de 62,5 para 62,7 sacas por hectare.
A Agroconsult apurou as seguintes maiores produtividades: Bahia, 70,3 sacas/hectare; Goiás, 66,2; Paraná, 66,1; Mato Grosso, 66.
“Já o Rio Grande do Sul é o destaque negativo. Com apenas 11% da área colhida, ritmo inferior à média das últimas cinco safras, o Estado sofreu com a estiagem ao longo do ciclo”, descreveu a Agroconsult.
“A estimativa de produtividade em janeiro, que era de 52 sacas por hectare, caiu para 47 sacas em fevereiro e foi ajustada para 48,3 sacas na rodada final”, acrescentou. “Apesar da melhora da percepção de potencial do Estado, após rodarmos o Estado, no final de março, a produção ainda deve ficar ligeiramente abaixo das 20 milhões de toneladas”, apontou André Debastiani, coordenador geral da expedição.
Lavouras heterogêneas
A Emater/RS-Ascar projeta o andamento da colheita gaúcha em 10% da área de 6.624.988 hectares.
“Embora as chuvas tenham favorecido a reposição hídrica em parte das lavouras ainda em fase reprodutiva, também impuseram interrupções pontuais à colheita”, avaliou. O predomínio fenológico está entre o enchimento de grãos (43%) e maturação (41%), ou seja, próximo da intensificação dos trabalhos de colheita no curto prazo. A produtividade média revista ainda na segunda quinzena de fevereiro foi de 2.871 kg/ha, ou as 47,85 sacas.
“O comportamento produtivo da soja no Estado segue heterogêneo, refletindo a distribuição irregular das chuvas ao longo do ciclo, especialmente durante os estágios críticos de definição de rendimento”, citou a instituição.
“Em áreas que mantiveram disponibilidade hídrica adequada, observa-se melhor enchimento de grãos e manutenção do potencial produtivo. Já em ambientes com restrição hídrica persistente, especialmente no Oeste e Noroeste do Estado, ocorreram redução do porte das plantas, abortamento de estruturas reprodutivas e antecipação da senescência, com impacto direto sobre o peso de grãos”.
Milho
Já a colheita do milho alcança 73% da área, com resultados considerados satisfatórios, ainda que haja variações regionais decorrentes das condições hídricas ao longo do ciclo. As lavouras estão 14% em maturação e 13% em estádios anteriores, com resposta positiva às precipitações, especialmente quanto à manutenção do enchimento de grãos e ao desenvolvimento vegetativo das áreas tardias.
Fonte: Correio do Povo