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Plantações de pinus elliottii apresentam menores emissões de metano do que áreas de campo nativo, diz estudo

Foto : Fernando Dias/Seapi/CP

As plantações de pinus elliottii no município de Mostardas , na região Sul, apresentaram menores emissões de metano do que áreas de campo nativo. Esse é um dos resultados preliminares do projeto “Balanço de Gases de Efeito Estufa em Sistemas de Produção de Pinus” , desenvolvido há um ano por pesquisadores do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi). O objetivo do estudo é ampliar o conhecimento sobre a dinâmica do carbono e das emissões de gases de efeito estufa em sistemas florestais e naturais. A etapa de coleta de dados foi concluída esta semana.

De acordo com o engenheiro florestal e pesquisador do DDPA, Jackson Brilhante, ao longo de um ano, foram realizadas duas avaliações de metano (CH₄), nas quais se observaram menores emissões desse gás nas áreas florestais. “Essa diferença está relacionada ao sistema radicular do pinus, que contribui para uma melhor estruturação do solo, tornando-o mais poroso, uma condição que não favorece a emissão de metano”, explicou.

Brilhante esclareceu que a pesquisa busca quantificar os fluxos de dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O) em sistemas de campo nativo (CN) e em plantações de pinus com cinco (P5) e 25 anos (P25). “Outra específica é determinar o estoque e os compartimentos do carbono orgânico do solo, relacionando-os aos atributos físicos e químicos que controlam sua estabilização”, acrescentou. “O estudo também prevê o cálculo do balanço líquido de gases de efeito estufa (GEE) e do potencial de aquecimento global (PAG) de cada sistema, integrando as emissões gasosas às variações no carbono do solo”.

Segundo a equipe técnica, o estudo é estratégico para compreender a dinâmica do carbono nos sistemas de produção de pinus. “Pesquisas realizadas anteriormente no estado de Santa Catarina indicam que essa cultura pode reter cerca de 400 toneladas de carbono por hectare, sendo aproximadamente 60% armazenados na madeira e o restante no solo, valores superiores aos observados em áreas nativas com floresta ombrófila mista”, apontou Brilhante.

Com o encerramento da fase de campo, o projeto entra agora na etapa laboratorial. “As amostras coletadas em trincheiras com até um metro de profundidade serão comprovadas para a determinação dos teóricos e estoques de carbono no solo, bem como do carbono estabilizado na madeira”, adiantou o pesquisador. “Além disso, serão realizadas análises químicas e biológicas, incluindo a avaliação de enzimas ligadas aos ciclos do carbono e do enxofre, com o objetivo de analisar a saúde do solo nos diferentes sistemas avaliados”.

As florestas plantadas são uma das tecnologias incluídas no Plano Setorial de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária (Plano ABC+) . Até 2030, a expansão dessas florestas no território nacional poderá contribuir para a redução de cerca de 500 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

Fonte: Correio do Povo

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