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Pesquisa da UFRGS aponta que Covid-19 e zika podem ter correlação com doenças neuropsiquiátricas

Jonatan Sarmento / Arte GZH

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aponta que o zika vírus e o coronavírus podem ter correlação com doenças neuropsiquiátricas, além de ocasionar complicações na gravidez. O estudo foi elaborado pelo pesquisador Rafael Lopes da Rosa no doutorado do Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Molecular, com orientação do Prof. Dr. Walter Orlando Beys da Silva. Intitulada “Caracterização molecular da infecção pelos vírus epidêmicos Zika e SARS-CoV-2 e correlação com doenças potencialmente associadas”, a tese foi defendida em 7 de outubro de 2022.

Em sua pesquisa, Rafael procurou caracterizar as alterações da expressão genética dos hospedeiros causadas pelos dois vírus. Primeiramente, iniciou o doutorado com foco em se aprofundar nas crianças cujas mães tiveram zika durante a gestação. O pesquisador lembra que muito se falou nos bebês que nasceram com microcefalia (malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve) por conta do vírus, mas que o microrganismo poderia trazer problemas a longo prazo, por isso a importância de manter estudos.

— As crianças (de mães infectadas com o vírus na gestação) estavam crescendo, e em alguns grupos é apontado um maior número de crianças com déficits de aprendizado, condições que podem estar relacionadas com o zika durante a gestação, mas os estudos ainda estão em andamento — observa Rafael. — Além da microcefalia, outra porcentagem poderia sofrer com doenças sintomáticas, algum tipo de condição que poderia vir ao longo do tempo.

O pesquisador ressalta que uma pessoa infectada por zika pode ativar marcadores de doenças como Parkinson, autismo e esclerose lateral amiotrófica. No caso, o vírus não é necessariamente o causador das doenças, mas há uma correlação que poderia agravar um quadro ou até iniciá-lo.

Já a pesquisa sobre o vírus SARS-CoV-2 foi elaborada em caráter de urgência durante a pandemia. Identificou-se que a infecção pode resultar em alterações moleculares com desfechos neuropsiquiátricos — como a depressão, transtorno de pânico, distúrbio do sono, entre outros. A tese evidenciou ainda o risco que o vírus representava para as mulheres grávidas. 

— Analisando o padrão de expressão genético em pessoas que foram infectadas por SARS-CoV-2, identifiquei que haviam marcadores correlacionados com a doença pré-eclâmpsia, que aumenta a pressão no útero e pode causar aborto — relata o pesquisador. 

Essa pesquisa sobre a relação entre a covid-19 e pré-eclâmpsia foi citada em indicações legislativas e relatórios técnicos para promover prioridade para gestantes na vacinação contra o coronavírus. Tendo em vista essa correlação foi sancionada a Lei n.º 14.151, em maio de 2021, que determinou o afastamento da empregada gestante das atividades presenciais durante a emergência de saúde pública decorrente da covid.

A pesquisa

  • Por meio de ferramentas de bioinformática, foram analisados genes do hospedeiro que não seriam percebidos sem infecção (de Zika ou SARS-CoV-2)  ou seriam expressos somente em uma quantidade anormal.
  • Uma vez que a pessoa é infectada, o vírus faz seu hospedeiro expressar proteínas, que seriam benéficas para a multiplicação e manutenção do microrganismo. Então, ocorre um aumento anormal dessas proteínas. São os chamados Genes Diferencialmente Expressos (GDEs). 
  • A partir da observação de GDEs, a pesquisa pode realizar correlações clínicas.
  • Como resultado, foram construídos dois bancos de dados sobre o impacto na expressão gênica diferencial da infecção de Zika e SARS-CoV-2 em amostras clínicas e experimentais. 

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/

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