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Mulheres buscam mais vagas em tecnologia, mas seguem minoria

Presença feminina no setor não chega a um terço no Brasil e pauta debate sobre liderança e permanência no South Summit

Grupo Ladies in Tech no South Summit Brazil 2026; mulheres representam 34,2% da força de trabalho no setor no Brasil
Foto : Ladies in Tech / Divulgação / CP

Mulheres procuram mais oportunidades na tecnologia do que homens. Segundo estudo liderado por pesquisadores da University of New Hampshire, nos Estados Unidos, elas buscam 17,3% mais vagas no setor. Publicado no Journal of Management System em 2025, o levantamento também aponta que mulheres assumem 17,2% mais projetos tecnológicos com alta complexidade de coordenação. Ainda assim, permanecem em menor número na área.

O cenário foi debatido nesta quarta-feira (26), durante o segundo dia do South Summit Brazil 2026. No painel “Liderança feminina na tecnologia e inovação”, realizado no Corner Stage, a inclusão de mulheres no setor guiou o debate. Participaram a fundadora e CEO da WoMakersCode e uma das líderes de tecnologia na Microsoft, Cynthia Zanoni, a gerente-geral da BridgeWise na América Latina, Maria Teresa Meyer, e a fundadora do FORWD, Renata Feltrin. A mediação foi da sócia-gerente da Sororitê Ventures, Erica Fridman.

No Brasil, as mulheres representam 34,2% da força de trabalho em tecnologia, segundo relatório da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), divulgado em 2025. Homens somam 63,1%, enquanto pessoas não-binárias representam 1%. Em cargos de liderança, a proporção é semelhante: mulheres ocupam 34,1% das posições de diretoria e gerência, um avanço de apenas 1,6% em relação a 2019.

Vantagem competitiva e reprodução de preconceitos

Durante o debate, a CEO da WoMakersCode destacou que mulheres carregam uma bagagem de experiências que amplia o olhar sobre problemas e soluções. Segundo ela, esse repertório favorece abordagens mais criativas e diversas na construção tecnológica.

A cofundadora do Ladies in Tech, Marceli Brandenburg, reforçou essa visão. Para ela, a atuação feminina tende a considerar mais aspectos ligados à inclusão e à acessibilidade. “A gente cuida muito de como a tecnologia vai ser utilizada por pessoas de diferentes realidades sociais, idades e gêneros”, afirmou.

A ausência dessa diversidade, segundo as participantes, impacta diretamente no desenvolvimento de soluções. Sistemas de inteligência artificial, por exemplo, podem reproduzir vieses quando criados por equipes homogêneas. Relatório da consultoria LLYC aponta que 56% das respostas de IA direcionadas a jovens do sexo feminino reforçam estereótipos de fragilidade. O estudo também mostra que mulheres recebem recomendações para buscar validação externa cerca de seis vezes mais do que homens.

Permanência na área

Além da capacidade de gestão e visão coletiva, apontadas como diferenciais, a permanência das mulheres na tecnologia ainda é um desafio. “Não é só sobre entrar, é sobre permanecer e crescer”, afirmou Cynthia. Dados do estudo Overcoming Obstacles: Challenges of Gender Inequality in Undergraduate ICT Programs, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), mostram esse descompasso. Embora mulheres representem cerca de 30% dos ingressantes em cursos de Tecnologia da Informação e Comunicação, são apenas 10% entre os concluintes.

Para enfrentar esse cenário, iniciativas de apoio têm ganhado espaço. Redes de acolhimento, capacitações e programas de mentoria são apontados como caminhos para reduzir a evasão e fortalecer a presença feminina no setor.

Reconstrução de negócios afetados pelas enchentes

Um exemplo é o programa Lift, do Ladies in Tech, que nesta edição volta o foco para mulheres empreendedoras afetadas pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. A iniciativa conecta tecnologia e reconstrução econômica.

Em parceria com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e o Regenera RS, cinquenta participantes já foram selecionadas para receber mentorias. “É uma trilha de capacitação focada nessas empreendedoras, para que retomem seus negócios com mais segurança e confiança”, explicou Marceli.

Fonte: Correio do Povo

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