
As entidades da cadeia produtiva do arroz lançaram, nesta quinta-feira, sete propostas para mitigar a crise do setor orizícola gaúcho, que deve reduzir cerca de 9% a área plantada na atual safra. As ações vão desde conscientizar os produtores para reduzir a produção em razão dos baixos preços, passando por temas como comercialização, exportações, impostos, financiamentos e medidas contra a venda de arroz fora do tipo especificado na embalagem.
O trabalho das federações, que vêm se reunindo e indo a campo desde junho do ano passado, começa a trazer resultados. A expectativa é que a atual safra ocupe entre 880 mil e 890 mil hectares no Estado, detalhou o presidente do Irga, Alexandre Velho. Das seis regiões produtivas, apenas a Planície Costeira Externa não reduziu área. Na safra 2024/2025, foram 970 mil hectares. A Conab reduziu a estimativa de colheita entre o primeiro e o quarto levantamento em 153 mil toneladas na safra de arroz no Estado. Na comparação com o ciclo passado, a queda é de 12,2%, o equivalente a 1,68 milhão de toneladas.
Segundo o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Antônio Velho Lopes, a busca conjunta de soluções e de forma antecipada demonstra a maturidade do setor produtivo.
“Vivemos o momento mais delicado da agropecuária e silvicultura gaúcha na nossa história. Fatores climáticos graves vêm assolando o Rio Grande do Sul nos seus dois extremos. Temos, ainda questões de mercado e de geopolítica mundial, que prejudicam, de forma consistente, diversas cadeias produtivas do Rio Grande do Sul, em especial, e também do Brasil”, destacou o dirigente da Farsul.
“Ninguém gosta de diminuir sua atividade, mas os produtores gaúchos estão fazendo a sua parte”, afirmou o economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz. Segundo o executivo, os eventos climáticos e a crise de crédito, com o alto endividamento dos produtores, impactaram nos investimentos, o que resulta em um padrão tecnológico mais baixo do que o habitual, o que também pode trazer a produtividade para baixo.
Preço do arroz competitivo
O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, falou sobre a iniciativa de buscar os governos estadual e federal para discutir propostas para tornar o preço do arroz brasileiro competitivo em relação ao praticado pelos vizinhos do Mercosul.
“A indústria gaúcha tem perdido, nos últimos anos, para as indústrias de Minas (Gerais) e São Paulo que estão com a tributação zero e trazem arroz do Paraguai”, reforçou Nunes.
O representante da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) Antônio Carlos de Quadros Ferreira Neto (Cacaio) destacou que o governo do Estado apoia integralmente as demandas do setor. Para o executivo estadual, os arrozeiros entregaram uma nota técnica, em 15 de janeiro, solicitando a redução temporária da cobrança de ICMS. A demanda está em discussão e são esperados desdobramentos a partir da próxima semana.
Fonte: Correio do Povo