Aprosoja aponta tendência de mais produtores ficarem sem combustível para concluir o trabalho

Foto : Camila Cunha
A celebração da fase final da safra da soja ocorre hoje em Tupanciretã, com a 17ª Abertura Oficial da Colheita. No entanto, essa edição do evento deve ser marcada pelos problemas que ocorreram neste ciclo, como a falta de chuvas que atrapalhou o desenvolvimento dos grãos e os gargalos para a distribuição do diesel aos agricultores.
A exemplo do que tem acontecido com os produtores de arroz, o preço cobrado pelo combustível também tem assustado quem planta soja. O presidente da Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja/RS), Ireneu Orth, aponta valores na faixa de R$ 8,00 a R$ 9,00 ou até mais pelo litro. “Além do preço lá nas nuvens desse produto, a falta dele em algumas propriedades faz com que as máquinas não possam colher”, salienta o dirigente da entidade.
Orth explica que a escassez não chega a ser generalizada nas regiões produtoras da oleaginosa no Estado. “Alguns lugares ainda têm, mas está indo para o final. Evidente, não tendo diesel, (o trabalho) para, porque a máquina não se movimenta sem óleo diesel, tanto a colheitadeira, como os caminhões para fazer o transporte até o armazém da fazenda, a sede, ou para qualquer outro lugar”, relata. “E ele (problema) ainda não é geral, mas a tendência é mais gente ficar sem”, projeta
Estado das lavouras
O Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta, indica que a cultura da soja apresentou avanço e se aproxima do final do ciclo. A estimativa é de produtividade média de 2.871 kg/ha, o que representa redução de 9,7% em relação à projeção realizada no início da safra, refletindo os efeitos da irregularidade hídrica e altas temperaturas.
O dirigente da Aprosoja/RS ainda informa que a entidade projeta uma produção próxima à que a Emater/RS-Ascar estimou recentemente, em 19,01 milhões de toneladas. E avalia que as plantações já estão livres de ocasionais períodos de estiagens que possam acontecer. “Neste momento o clima está favorável, sem problema, (mas) não sei o que vai acontecer daqui para frente”, diz. “Os prejuízos que deveriam acontecer já aconteceram, porque o problema da falta de chuva lá atrás, especialmente em janeiro e fevereiro, não recuperam as eventuais lavouras que ainda não estão prontas para ser colhidas. Então vamos continuar com uma safra, acredito, talvez entre 18 milhões e 19 milhões de toneladas, o projetado que a Aprosoja sempre tem feito”, relata.
Orth estima que a colheita nem chegou a 20% da área total no Rio Grande do Sul, com plantações ainda no estágio de folhas verdes, a cerca de 10 a 20 dias para atingir o ponto de colheita. A produtividade tem sido bastante variável em razão das estiagens que atingiram plantações de algumas regiões em momentos cruciais para o estabelecimento da produtividade. “Tenho ouvido sobre lavouras que têm colhido de 20, 21, 25, 40 e até 60, 80 sacas por hectare. Nós vamos ter lavouras ruins e de zero, que nem se vai colher, até lavouras de 70, 80 sacas. Depende da região. As chuvas foram muito esparsas, mal distribuídas e este é o fator principal (para os contrastes)”, descreve.
Fonte: Correio do Povo