Apresentação ocorreu na casa da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre na noite desta sexta-feira (13)

Juliana Bublitz / Agência RBS
A cultura gaúcha desfilou garbosa, vestida de gala, na noite da última sexta-feira (13), no palco da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa).
O concerto em homenagem aos 400 anos das Missões Jesuíticas Guaranis foi uma rica junção de sonoridades, com a participação de grandes artistas da música regional e de herdeiros dos troncos missioneiros (formados por Pedro Ortaça, Jayme Caetano Braun, Cenair Maicá e Noel Guarany).
Foi bonito ver e ouvir a mescla da gaita e do bombo leguero com os violinos e oboés. Os arranjos do violinista Dhouglas Umabel caíram bem à orquestra, que transitou com desenvoltura pela milonga, pela vaneira e pelo chamamé.
Do púlpito, o maestro Manfredo Schmiedt interagiu com os solistas e brincou com o público, aproveitando a oportunidade para formar plateia. Muitos, ali, visitavam a Casa da Ospa pela primeira vez, atraídos pela temática regionalista. A julgar pelo que viram, voltarão.
Pelo palco, passaram Marianita Ortaça (patrona dos Festejos Farroupilhas 2026) e seus irmãos Gabriel e Alberto, da linhagem de Pedro Ortaça; Érlon Péricles e o lendário violonista Lucio Yanel, interpretando Bochincho, de Jayme Caetano Braun; Shana Müller, com uma versão de arrepiar de Todo Cambia (de Julio Numhauser); Neto e Ernesto Fagundes com a potência de Origens; e os talentosos filhos de Cenair Maicá – Patrício Maicá – e de Noel Guarany – Laura Guarany. Fecharam o grupo Lincon Ramos, acordeonista de mão cheia, e Angelo Franco, dono de uma voz de querubim.
Da união entre cantores e orquestra, nasceram releituras de clássicos, que não perderam a essência e seguirão reverberando. O legado missioneiro, afinal, continua vivo. Mais vivo do que nunca.
A noite também foi de homenagem. Professor emérito da UFRGS e figura respeitadíssima no meio cultural gaúcho, Luiz Osvaldo Leite recebeu uma placa da Ospa e da Secretaria Estadual da Cultura.
Ele foi, entre tantas funções e atividades realizadas ao longo de seus 93 anos de vida, presidente da orquestra e da Fundação Cultural Pablo Komlós e diretor da Divisão de Cultura de Porto Alegre. Construiu um legado na inteligência do Estado.
Após o descerramento da placa por Gilberto Schwartsmann (atual presidente da Ospa) e Eduardo Loureiro (secretário de Cultura), professor Leite, como é conhecido, falou sobre sua trajetória (ele testemunhou o primeiro concerto da história da orquestra) e agradeceu a distinção.
A placa está pendurada na parede da Casa da Ospa, diante da sala de concertos.
Fonte: GZH