
O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, anunciou que serão liberados R$ 73,6 milhões para apoiar a comercialização de arroz da safra em todo o país. O anúncio foi feito no último dia da 36ª Abertura da Colheita do Arroz, que se encerrou nesta quinta-feira, em Capão do Leão.
O objetivo da iniciativa é atender o setor arrozeiro e ajudar a escoar a produção, fortalecendo a renda dos produtores diante do cenário de queda no preço da saca no mercado. A previsão é que as operações iniciem em até 15 dias, quando deverá ser publicada uma portaria interministerial. Depois disso, as regras dos leilões serão divulgadas.
“O arroz não é somente uma cultura agrícola, é sinônimo de qualidade, de tecnologia. Para nós do governo federal, ele também representa a soberania alimentar. Por isto olhamos com atenção para o setor”, explicou.
A iniciativa é fruto de conversas com a Federação da Associação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) e a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz). O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, também participou do anúncio.
A ação prevê o escoamento de cerca de 300 mil toneladas das regiões produtoras para as consumidoras, alcançando os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão. Do total de recursos, R$ 61,3 milhões serão aplicados no Rio Grande do Sul, que responde pela maior parcela da produção nacional de arroz, resultando no escoamento de cerca de 250 mil toneladas.
Os recursos serão operacionalizados por meio do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e do Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), usados na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Os mecanismos podem ser acionados quando o preço de mercado fica abaixo do valor mínimo estabelecido pela Conab.
Preço médio no RS
No Rio Grande do Sul, o preço médio recebido atualmente pelo produtor é de R$ 53,27 por saca de 50 quilos, enquanto o preço mínimo para o Estado é de R$ 63,74, diferença superior a R$ 10 por saca.
No Pepro, o produtor rural ou a cooperativa vende o produto pelo preço de mercado e recebe um prêmio complementar, garantindo o valor do preço mínimo mediante comprovação do escoamento da produção. Já no PEP, o incentivo é concedido à empresa que compra o arroz diretamente do produtor ou da cooperativa pelo preço mínimo, recebendo um valor para retirar o produto da região de origem ou destiná-lo ao beneficiamento e à industrialização.
“O que queremos é segurança para o produtor e para quem consome. Após 11 anos, temos estoques, fruto de diálogo e necessidade. Este é o volume inicial para fazer subvenção tanto para indústria, como produtores, comprovando que comprou aqui e vai levar para outro Estado poderá acessar o prêmio”, observa Edegar.
Safra 2025/2026
Para a safra de arroz 2025/2026, a produção brasileira é estimada em 10,91 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 14,4% em relação ao ciclo anterior. A área plantada no país deve alcançar 1,56 milhão de hectares, queda de 11,6% na comparação com a safra passada. No Rio Grande do Sul, principal produtor nacional, a estimativa é de uma produção de 7,54 milhões de toneladas, recuo de 13,6% frente à safra anterior. A área plantada no estado deve somar 905,2 mil hectares, o que representa uma redução de 6,5%.
O presidente da Federarroz, confirmou que solicitou a demanda para a safra. “O recurso foi pedido, pois há uma necessidade de suporte financeiro de acordo com o preço praticado no Estado e é importante que tenhamos escoamento para que os preços comecem a reagir. O RS tem capacidade produtiva, um produto de qualidade. A Conab não se preocupe que o Estado tem potencial de dar segurança alimentar ao país”, conclui.
Fonte: Correio do Povo