
O município de Terra de Areia, o maior produtor de abacaxi do Rio Grande do Sul, comemora uma grande e saborosa safra da fruta, resultado do trabalho mobilizado por 120 famílias em 130 hectares, além de outros trabalhadores. Segundo a Emater/RS-Ascar, as condições climáticas dos últimos meses favoreceram o desenvolvimento das plantações e resultaram em frutos de alta qualidade. O extensionista rural Wolnei Fenner revela que em torno de 8 milhões de abacaxis deverão ser colhidos neste ciclo.
“A safra deste ano está superando todas as expectativas. Tem sido uma das melhores dos últimos anos. O clima tem contribuído muito, o que proporciona uma maior qualidade e quantidade de frutos colhidos. Os produtores estão muito contentes”, descreve Fenner.
De acordo coma Emater, por ser uma fruta não climatérica, que não amadurece após a colheita, o abacaxi precisa ser colhido próximo ao momento do consumo. A proximidade com os consumidores gaúchos se torna um diferencial e permite que o produto de Terra de Areia se destaque em relação aos abacaxis vindos de outras regiões do país.
“Abacaxis de outros estados não podem ser colhidos muito maduros, pois não aguentariam o transporte até o Rio Grande do Sul. Então o fruto é colhido verde, o que faz com que ele chegue ao estado com uma certa acidez e com baixo teor de açúcar”, explica Fenner.
“Enquanto isso, os produtores de Terra de Areia conseguem colher o abacaxi maduro, resultando numa fruta com baixa acidez e teor de açúcar mais alto, o que agrada o paladar do consumidor gaúcho.”
Conforme a Emater, os produtores também têm investido em técnicas de manejo, como maior adubação, para aumentar o tamanho dos frutos e tornar o abacaxi mais bem aceito no mercado. “O abacaxi de Terra de Areia sempre foi muito bom, mas considerado pequeno. Hoje os produtores têm conseguido fazer frutas com tamanho maior do que aqueles que eram comercializados há uma década”, argumenta o extensionista. Parte da produção deles é comercializada em centrais de abastecimento, feiras e tendas, enquanto outra chega diretamente às casas das pessoas por meio de vendedores itinerantes.
Sucessão familiar garantida
O abacaxi está na vida do agricultor José Erídio Engel há 25 anos. A área cultivada de Engel com a fruta é de 7 a 10 hectares, mas a colheita anual é de 4 a 5 hectares, já que o ciclo da cultura é de até dois anos do plantio à colheita. A colheita varia entre 100 mil a 120 mil frutos por safra, que ele comercializa diretamente aos consumidores.
“Eu vendo para as tendas, para os caras que vendem nos pontos, para outro pessoal que sai a vender e distribuir nas casas”, conta. Ou seja, busca uma remuneração melhor, sem atravessadores. “Não adianta eu plantar muita quantidade, porque daí eu tenho que vender por menos preço, para os outros revenderem, repassar para a Ceasa. Então, prefiro plantar pouco”, justifica.
As condições climáticas não ajudaram muito no começo do ciclo da atual safra, visto o inverno muito rigoroso, o que atrasou um pouco o desenvolvimento do cultivo. “Mas o clima de verão agora está bom, não tem dado seca, nem chuvarada demais e o sol não tem queimado também. Por enquanto, está muito bom se continuar assim”, comemora.
A colheita começa ainda em meados de outubro. “A gente induz ele para florescer antes do tempo. E agora estamos colhendo o que é por conta da natureza (sem o indutor)”, afirma. E a alta temporada para as vendas se encerra com o Carnaval, visto a maior movimentação de veículos nas rodovias.
O produtor já possui herdeiros para seguirem com o abacaxi, visto que o casal de filhos, Jonas, 27 anos, e Geovana, 19, optaram por seguir na atividade do pai. Ele como independente, ainda que ambos se ajudam nas demandas das lavouras, e ela atua junto do pai.
“É a opção deles que escolheram. Porque eu queria, eu ensinei meu filho a trabalhar na roça. É diferente de muitos que dão estudo e deixam as crianças fazer o que querem. Não, eu ensinei eles a fazer o que eu sei fazer”, relata. “Então eles optaram por isso. Eles viram a gente desenvolvendo, crescendo com abacaxi, aprenderam e pegaram gosto de trabalhar na roça. Preferiram não estudar e trabalhar”, acrescenta.
“O abacaxi está sendo a minha vida. Tudo que eu tiro é do abacaxi, é o meu alimento, o meu sustento. E foi com o abacaxi que eu criei meus filhos. Então, tenho que continuar apostando nele.”
Geovana confirma a paixão pelo cultivo do abacaxi que o pai passou aos filhos. “Tive a oportunidade de sair, de buscar outro emprego, mas aprendi a tomar gosto, a ver a fruta crescer, cuidando e depois colhendo os frutos. Então foi aí que eu decidi continuar e trabalhar com a minha família”, detalha ela.
“Como eu tenho 19 anos, agora é que eu tive a oportunidade de, desde o início, plantar e cuidar. Isso é muito gratificante. Ver agora a lavoura linda, com os frutos grandes, para logo a gente começar a colher”, descreve como foi a sua primeira lavoura de abacaxi.
Fonte: Correio do Povo