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Área do trigo deve encolher 15% no RS devido ao custo de produção

Disparada dos preços do diesel e dos fertilizantes motiva previsão da FecoAgro-RS

Cultura de inverno ocupou aproximadamente 1,15 milhão de hectares no Estado no ciclo anterior
Foto : Wenderson Araújo / Trilux / Divulgação / CP

A exemplo do ano passado, os agricultores gaúchos deverão semear menos trigo em 2026. Diante do aumento do custo de produção, a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (FecoAgro-RS) estima que a área plantada com o cereal na próxima safra de inverno diminuirá em torno de 15% em relação ao ciclo anterior, quando a triticultura ocupou cerca de 1,15 milhão de hectares. O recuo é motivado principalmente pela disparada dos preços do óleo diesel e dos fertilizantes desde o início do conflito no Oriente Médio, região que concentra rotas logísticas e importantes fornecedores de insumos usados na agricultura mundial.

Segundo o presidente da FecoAgro-RS, Adriano Borghetti, a guerra no Irã agravou um cenário que, na safra de 2025, já não se desenhava favorável para a lavoura de trigo. Na época, a relação de troca (volume de grãos necessário para a compra de uma tonelada de adubo) era calculada em torno de 50 sacas por hectare.

“Não era ideal, mas se conseguia plantar um hectare de trigo. (Hoje) passa para 67 sacas de trigo o custo de produção, devido a esse aumento de diesel e fertilizante, principalmente”, explica.

Do lado do mercado, observa Borghetti, as cotações do cereal não acompanharam o ritmo de aumento das despesas no campo. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), o preço médio da tonelada de trigo brando no Rio Grande do Sul em 9 de abril era de R$ 1.167,76. A saca de 60 quilos era negociada ao preço médio de R$ 59 no período de 6 a 10 de abril, com base em levantamento da Emater/RS-Ascar.

Os prejuízos sofridos na cultura da soja nos últimos anos, com estiagens e enchentes, também desestimulam o investimento no cereal de inverno.

“O produtor está muito indeciso. Aquele que sempre plantou, teve vários anos em que olhava a conta na hora de plantar. Era muito apertado, mas depois ele plantava, olhando para a diversificação na propriedade. (Neste ano) alguns vão olhar para o custo do trigo e não vão plantar”, afirma Borghetti.

Boas condições para a canola

Em contrapartida, a FecoAgro-RS prevê uma grande expansão no cultivo de canola. A projeção é que a área plantada com a oleaginosa neste ano atinja 400 mil hectares, o dobro de 2025. Adriano Borghetti explica que o planejamento da próxima safra foi feito nos últimos meses do ano passado, antes dos aumentos de preços dos fertilizantes.

As boas cotações alcançadas pelo grão também incentivam os agricultores a incluir a cultura na estratégia de diversificação da produção ou a ampliar a lavoura.

“A canola tem liquidez, a relação (de troca) fica mais atrativa. E começou a exportação, o produtor começou a entrar nesse movimento de demanda”, diz o dirigente.

Fonte: Correio do Povo

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