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Polícia faz operação em quatro Estados contra suspeitos de invasão de sistema de banco no RS

Polícia Civil / Divulgação

Uma investigação da Polícia Civil gaúcha levou à identificação de um grupo suspeito de estar por trás da invasão do sistema de um banco no Rio Grande do Sul. O Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos realiza nesta quarta-feira (4) a Operação Chave-Mestra em quatro Estados.

Os mandados são cumpridos no Paraná, no Distrito Federal, em Goiás e no Rio de Janeiro. Ao todo, são seis ordens de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão. Há ainda bloqueios de contas bancárias e criptoativos de contas de pessoas físicas e jurídicas suspeitas de envolvimento no crime. O nome da instituição financeira vítima não foi divulgado pela polícia.

— Criminosos tentaram invadir o sistema de um banco público de fomento. A equipe desse banco veio até o departamento e iniciamos a investigação. Um funcionário do banco teve a linha de telefone clonada. A partir disso, eles acessaram sistemas do banco, utilizando as credenciais do funcionário — explica o delegado Eibert Moreira Neto, diretor do departamento. 

Ainda segundo o delegado, os criminosos acreditavam que o funcionário que teve as credenciais utilizadas tinha acesso a movimentações financeiras. No entanto, o cargo que ele exerce não é compatível com esse tipo de transação. 

— Eles começaram a demandar para o setor de TI (tecnologia da informação) do banco o aumento das credenciais para que pudessem fazer transações maiores. Foi detectado que essa pessoa estava solicitando upgrade e o próprio banco desconfiou — detalha o delegado. 

A invasão do sistema

Em dezembro de 2025, a linha de telefone do funcionário do banco deixou repentinamente de funcionar. Ele tinha sido alvo do chamado SIM swap, ou “golpe do chip”.

Na mesma manhã, o número foi transferido, de forma remota, para um novo chip instalado em um aparelho controlado pelos criminosos, que passaram a receber os códigos de verificação enviados por SMS e, com eles, redefiniram a senha da conta corporativa do colaborador.

De posse das credenciais, o golpista conseguiu acessar e baixar arquivos internos da instituição, entre eles documentos sobre a infraestrutura de tecnologia e segurança. Por meio do aplicativo corporativo de mensagens, o criminoso contatou oito colaboradores da área de tecnologia, solicitando privilégios de acesso aos sistemas bancários centrais, mas os pedidos foram negados.

A credencial permaneceu sob controle do invasor por cerca de 48 horas, até a tentativa de fraude ser constatada. Nenhuma movimentação financeira chegou a ser realizada nesse período. Ainda assim, foram identificadas movimentações bancárias atípicas que, somadas, superam R$ 3,7 milhões nas contas dos principais investigados, além de registro de depósito em criptoativos estimado em aproximadamente R$ 5 milhões. A polícia acredita que esses valores sejam frutos de outras operações clandestinas.

Os policiais apuraram ainda que a troca do chip da vítima foi feita por um funcionário da própria operadora de telefonia, integrado ao esquema criminoso. Segundo a apuração, ele recebeu, juntamente com um familiar, cerca de R$ 44,7 mil em transferências via Pix, realizadas por integrantes do grupo entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, período que compreende a data do crime. O funcionário da operadora de telefonia é um dos alvos de mandado de prisão. 

A operação tem como alvos não só os responsáveis pela invasão do sistema financeiro do banco, mas também o núcleo de uma organização criminosa responsável, por meio da cooptação do funcionário de operadora de telefonia, por servir de porta de entrada para invasões de contas e golpes contra vítimas em todo o país.

Grupo prometia excluir nomes de criminosos de banco nacional de mandados 

Durante as investigações, a equipe da Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas descobriu que o grupo comercializava serviços pela internet, como a “derrubada” e a transferência ilícita de linhas telefônicas de terceiros, mediante pagamento, com exposição de dados pessoais das vítimas, como nome, CPF, data de nascimento e endereço.

Além disso, segundo a polícia, eles ofereciam outros trabalhos clandestinos, entre eles a exclusão de registros do Banco Nacional de Mandados de Prisão. Isso permitiria que criminosos tivessem os seus nomes retirados do banco do Conselho Nacional de Justiça, usado para armazenamento e consulta de mandados de prisão.

Conforme a polícia, as investigações seguem para buscar a identificação e responsabilização de todos os envolvidos.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/

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