Acordo do bloco europeu com o Mercosul retirou 10% de impostos de importação, mas a grande safra gaúcha explica a expansão

Foto: Gilmar Ribeiro Nachtigall / Embrapa Uva e Vinho / Divulgação / CP
O Brasil expandiu as exportações de maçã para a Europa neste ano em 111% em receita e 104% em volume em relação a 2025, com destaque aos embarques gaúchos para a União Europeia.
O faturamento ao continente foi de US$ 15,832 milhões, ante US$ 7,5 milhões no período anterior, resultado dos embarques 14,940 mil toneladas, sendo que em 2025 foram 7,3 mil. E, de todos esses negócios, o Rio Grande do Sul representou 59,54% em valor, ou US$ 9,427 milhões, e 61,31% do volume, visto as 9,161 mil toneladas comercializadas.
No ano passado a expressividade gaúcha tinha sido ainda maior: 83% do volume e 85% do faturamento, com aumentos superiores a 100% sobre 2024.
Para a União Europeia (sem contar Reino Unido e Rússia), o Rio Grande do Sul ampliou o volume e a receita em 70%, para US$ 7,658 milhões e 7.460 toneladas.
O acordo firmado no início do ano entre União Europeia e Mercosul explica parte do crescimento.
“Em termos de facilidades, tivemos a retirada dos impostos de importação que, em média, eram 10%”, explica Rafael de Oliveira, vice-presidente de Comercialização da Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi), e diretor comercial da Castelo Representações Comerciais.
Mas deixa claro: “O aumento nas exportações para a Europa foi mais devido ao volume de safra brasileira que voltou à produção normal depois de quatro anos de safras pequenas.”
2027 promissor
Os números são até agosto, mas não vão mudar até dezembro, porque as exportações já estão encerradas, enquanto os europeus estão colhendo a safra deles desse ano. E Oliveira se mostra otimista para o próximo ciclo.
“Para o ano que vem as perspectivas são boas, pois a Europa tem quebra de safra na variedade Gala, nossa principal variedade no Brasil. E a expectativa de safra brasileira, até agora, é boa”, revela.
“Estamos apreensivos com as chuvas previstas para outubro e novembro para saber qual será o real tamanho da safra brasileira”, complementa.
Pereira ressalta que as exigências do bloco europeu seguem rígidas sobre o tratamento fitossanitário empregado nos pomares brasileiros, um desafio aos fruticultores. “Quanto à questão fitossanitária, continua igual”, relata.
“A Europa é muito exigente em resíduos. E é um mercado importante para o Brasil, porém não é nosso principal mercado hoje”, lembra. “Respeitamos todas as leis brasileiras, mas como o clima europeu é menos chuvoso, eles têm menos incidências de pragas e fazem menos tratamentos que no Brasil”, justifica.
“A Europa exige limites residuais para fruta importada que até mesmo eles, na Europa, têm dificuldade de conseguir”, acrescenta.
Ampliação total
Conforme o dirigente, neste ano o Brasil exportou praticamente 500% a mais que ano passado. E 350% considerando a média dos últimos quatro anos.
Ele comparação o momento à safra 2021, com produção ‘cheia’, e embarques de 100 mil toneladas e faturamento de US$ 73 milhões, com o RS responsável por 82% do volume.
“Esse ano o Brasil exportou perto de 50 mil toneladas, e os produtores gaúchos exportaram 76% desse volume”, conta.
“Deveríamos ter exportado mais, principalmente para o controle de preços do mercado interno. Porém, o atraso na colheita e a guerra no Oriente Médio limitaram os embarques”.
Dos embarques brasileiros 70% têm como destino Índia, Bangladesh e Arábia Saudita. “Para a próxima safra o setor pensa em dobrar o volume exportado de 2026. O Rio Grande do Sul corresponde por 48% da produção brasileira de maçãs.”
Fonte: Correio do Povo