Traduzir para o mercado internacional as regras de preservação ambiental adotadas no país é um desafio para manter a competitividade dos produtores
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Foto : Leandro Mariani Mittmann / Especial / CP
Além das áreas destinadas à produção, propriedades rurais brasileiras são obrigadas pelo Código Florestal a garantir a manutenção de sua vegetação nativa, por meio de instrumentos como a Reserva Legal e as Áreas de Preservação Permanente (APPs), alcançando hoje 33,2% de todo o território no país. Em um cenário em que critérios ambientais têm peso crescente nas relações comerciais globais, é fundamental tornar essas regras e a realidade da nossa produção mais conhecidas no exterior, debatendo ainda como fazer para que produtores brasileiros possam acessar o mercado internacional de forma mais competitiva.
Essa foi a perspectiva do painel O Código Florestal para o Mundo: A Tradução da Sustentabilidade Brasileira, realizado durante a programação do Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, em São Paulo, com a presença de especialistas e autoridades.
Um dos participantes do painel, o ex-ministro da Defesa e Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, defendeu que o Brasil assuma uma postura mais ativa nas relações internacionais para proteger sua competitividade, especialmente no agronegócio.
“Não existe normas mais rígidas do que as que o país impõe a seus produtores em nenhuma parte do mundo. Um agricultor de Santarém pode utilizar apenas parte de sua propriedade para produção, enquanto produtores de países como Argentina e Estados Unidos possuem regras diferentes. E não se trata de não preservar o meio ambiente, mas sim que essas diferenças sejam colocadas em debate nos fóruns internacionais para que possamos concorrer em condições de igualdade.”
Ricardo Rosário, assessor especial da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, acrescentou que o Brasil enfrenta novas exigências internacionais relacionadas ao desmatamento e às emissões de gases de efeito estufa, mas que a obrigação legal de preservar pode fazer com que essa conservação não seja considerada adicional para a geração de créditos de carbono. “O Brasil também é um dos poucos países que proíbe o uso econômico em áreas de preservação permanente, como as margens dos rios. Precisamos avançar no princípio do protetor-recebedor: quem protege a natureza deve receber por isso. É fundamental mostrar ao mundo a realidade da nossa agricultura sustentável e o protagonismo do Brasil na sustentabilidade global.”
Já Dora Zanin, sócia proprietária e CEO da ZANIX e diretora institucional da DATAGROSAT, avalia que o primeiro passo é tornar o Código Florestal mais acessível a todos.
“Quando descobri, há cerca de três anos, que o Código Florestal brasileiro não tinha uma tradução, fiquei muito constrangida. A minha preocupação, então, foi não apenas providenciar isso, mas facilitar o entendimento da legislação, transformando o conteúdo jurídico em uma linguagem mais acessível, com imagens e ilustrações, para que cidadãos urbanos e pessoas de outros países possam conhecer o que o produtor rural brasileiro faz pela preservação ambiental.”
Dora ressaltou ainda a evolução da tecnologia usada no agro também pode ser uma aliada importante para a clareza do reporte de exigências e conformidades. ““Muitas vezes, uma alteração observada por sistemas de monitoramento não significa, necessariamente, desmatamento. Uma área de cultivo que foi colhida, por exemplo, pode acabar gerando um apontamento equivocado. À medida que essas tecnologias forem aprimoradas, elas poderão ajudar a tornar o monitoramento mais preciso e proteger o produtor.”
Fonte: Correio do Povo