Polícia diz que suspeita teria cobrado valores por multas e despesas forjadas em um processo ambiental ao longo de quatro anos; operação cumpriu mandados em três cidades no RS e SC

Um idoso de 76 anos teve um prejuízo superior a R$ 700 mil após ser vítima de um golpe aplicado ao longo de quatro anos por uma falsa advogada, que teria cobrado valores por supostas multas e despesas de um processo por crime ambiental, em Pinhal Grande, na Região Central do Rio Grande do Sul. A Polícia Civil deflagrou a Operação Ápate para investigar o caso e cumpriu três mandados de busca e apreensão em Santa Maria, Faxinal do Soturno e Chapecó (SC), nesta quinta-feira.
Segundo a investigação, a suspeita teria se apresentado inicialmente como advogada e oferecido auxílio em um processo relacionado a um crime ambiental. A suspeita teria passado a cobrar valores sob a alegação de que seriam necessários para o pagamento de multas, despesas junto à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Ministério Público e outros órgãos. Também teriam sido cobradas quantias para supostas viagens e outras providências relacionadas ao processo judicial.
A análise do processo, porém, indicou que as multas e outras obrigações financeiras apresentadas à vítima como justificativa para parte das cobranças não existiam. O processo relacionado ao crime ambiental está suspenso desde julho de 2022, aguardando o cumprimento de obrigações previstas em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
O que a Polícia descobriu
Conforme as diligências, o idoso realizou pagamentos entre 2022 e 2025, principalmente por meio de cheques. Também foram identificados valores entregues em espécie e transferências provenientes da venda da produção agrícola. Os valores identificados até o momento ultrapassam R$ 700 mil.
Parte do dinheiro recebido teria sido transferida para contas bancárias de pessoas próximas e familiares da principal investigada. A movimentação financeira é analisada para esclarecer a participação de cada envolvido no esquema.
A polícia também identificou indícios de que parte dos valores teria sido utilizada na aquisição de bens particulares, incluindo veículos. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos celulares, documentos e outros materiais de interesse para a investigação, além de dois veículos cuja aquisição está sendo analisada. Também foram efetivadas medidas judiciais de bloqueio de valores e ativos financeiros dos investigados, visando resguardar eventual ressarcimento do prejuízo.
A investigação segue para esclarecer a participação individual dos envolvidos, a origem e a destinação dos valores movimentados e a possível existência de outros beneficiários e vítimas.
A Operação Ápate contou com o apoio da Delegacia de Polícia de Faxinal do Soturno, Delegacia de Proteção ao Idoso de Santa Maria (DPICOI), 4ª Delegacia de Polícia de Santa Maria e Delegacia de Homicídios de Chapecó/SC.
Fonte: www.correiodopovo.com.br