Medida barra a participação de Tiffany, atleta do Osasco

Foto : CBV / Divulgação / CP
A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) atualizou nesta sexta-feira sua política de elegibilidade de atletas para as competições da categoria feminina no voleibol. As novas diretrizes permite que, nas categorias femininas, sejam inscritas apenas atletas de sexo biológico feminino, conforme testagem do gene SRY.
A entidade justificou a decisão afirmando que está “se adequando” a critérios adotados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e pela Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).
“Com a mudança dos parâmetros internacionais e da responsabilidade institucional, a CBV buscou manter o alinhamento entre as regras que regem as competições nacionais com as hoje vigentes para as competições internacionais,” afirmou Radamés Lattari, presidente da CBV.
A política entra em vigor na Superliga A e B (temporada 26/27), Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto), CBVP Challenger 2027 e nas respectivas edições seguintes durante a vigência da política.
Tiffany e a nova regulamentação
Desde 2017, a Superliga Feminina contava com a participação da atleta Tiffany Abreu, que atualmente tem contrato com o Osasco. As diretrizes anteriores permitiam a participação de atletas trans desde que o nível total de testosterona da atleta no soro permanecesse abaixo de 05 nmol/L por 12 meses antes da primeira competição e ao longo de todo o período de atividade na categoria feminina.
A nova regra deixa claro que “não será admitida mudança de categorização fundamentada exclusivamente em identidade de gênero, sexo civil, tratamento hormonal, supressão de testosterona, cirurgia ou avaliação discricionária de desempenho. A única exceção ao resultado SRY para ingresso na categoria feminina será a prevista no item 7.4.”.
O item 7.4 da nova regulamentação dispõe sobre atletas com Síndrome de Insensibilidade Androgênica Completa (CAIS) ou outro distúrbio do desenvolvimento sexual raro, que impeça os efeitos anabólicos e/ou de melhoria de desempenho decorrentes da testosterona.
Mais cedo neste ano, a confederação enfrentou a resistência da Câmara Municipal de Londrina, que tentou vetar a participação de Tiffany na Copa do Brasil, que seria realizada no município. A atleta relatou em entrevista recente ao Basticast que, na época, outros clubes da competição ameaçaram boicotar o torneio caso a participação dela fosse prejudicada e que “a CBV comprou a briga” a favor dela. Agora é a própria CBV que impede a sua participação.
Fonte: Correio do Povo