Rio Grande do Sul é o sexto entre os estados, com 30 registros no primeiro trimestre do ano

Foto : Rodrigo Ziebell / GVG / CP
O agronegócio brasileiro registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre deste ano, um alta de 21,9% em relação às 389 solicitações contabilizadas no mesmo período de 2025. Esta edição do indicador da Serasa Experian reúne números sobre os pedidos realizados por produtores rurais que atuam como pessoa física e jurídica, além de empresas relacionadas à cadeia agro.
Considerando a soma dos pedidos realizados por produtores rurais PF, produtores rurais PJ e empresas relacionadas à cadeia do agronegócio, o Mato Grosso foi o estado com o maior número de solicitações de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, totalizando 135 registros. O Rio Grande do Sul aparece em sexto lugar, com 30 pedidos.
Para o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, os números deste começo de ano refletem a continuidade de desafios que já vinham pressionando a saúde financeira de parte dos produtores e empresários do setor.
“O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo. Dessa forma, os pedidos voltaram a crescer no início de 2026, mas ainda não retomaram os níveis mais elevados observados em meados do ano passado. Daqui para o meio e o fim do ano, a evolução do cenário dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação dos compromissos. Por isso, reforçamos que renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”, afirma.
PJs têm o maior número de pedidos
Entre os produtores rurais que atuam como pessoa jurídica, foram contabilizados 196 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março de 2026. A quantidade ficou 73,5% acima das 113 solicitações realizadas no primeiro trimestre de 2025, representando o maior crescimento anual entre os três perfis analisados.
No recorte por atividade, o cultivo de soja concentrou 137 pedidos, seguido pela criação de bovinos, com 42. Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul lideraram a classificação por Estados.
Pessoa Física
Os produtores rurais que atuam como pessoa física realizaram 182 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026. O resultado representa uma redução de 6,7% em relação às 195 solicitações registradas no mesmo período de 2025.
Na análise por porte, os produtores classificados como “sem propriedades” concentraram 60 pedidos. O grupo pode abranger, por exemplo, arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos relacionados à atividade rural. Em seguida, apareceram os pequenos proprietários, com 44 solicitações, os grandes, com 41, e os médios, com 37.
Na distribuição por Unidade Federativa, Mato Grosso registrou o maior número de pedidos no período, seguido por Paraná e Goiás.
As empresas com atividades relacionadas à cadeia do agronegócio fizeram 96 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026. O número representa um crescimento de 18,5% diante das 81 solicitações registradas no mesmo período de 2025.
As agroindústrias de transformação primária responderam pelo maior volume, com 23 pedidos. Na sequência ficaram as indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e os serviços de apoio à agropecuária, com 15.
Na avaliação estadual, Paraná, São Paulo e Mato Grosso ocuparam as primeiras posições em número de solicitações.
Fonte: Correio do Povo