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Chuvas intensas e frequentes podem comprometer a polinização da canola

Cultura também tem sido atingida pelos eventos climáticos extremos, como chuvaradas que causam erosão severa e granizo

Muita chuva diminui a atividade dos insetos polinizadores, que são importantes para o rendimento da canola
Muita chuva diminui a atividade dos insetos polinizadores, que são importantes para o rendimento da canola
Foto : Paulo Ferreira / Divulgação / CP

Os temporais que vem atingindo as regiões agrícolas do Rio Grande do Sul têm causado devastações totais em lavouras de inverno, como as de canola. As intensas chuvas já ocorridas e, sobretudo, as previstas poderão comprometer a produtividade das áreas cultivadas que chegarem ao estágio de colheita.

Além das chuvas intensas que preocupam, a menor radiação solar, os dias nublados e a redução da atividade polinizadora das abelhas também são efeitos do fenômeno climático, que deve se estender até a safra de verão.

“Em anos de El Niño, o trigo, a cevada e (outros) cereais, qualquer espécie que está no campo, têm um potencial de rendimento menor, dependendo da intensidade (das chuvas)”, sintetiza o pesquisador da Embrapa Trigo Gilberto Cunha.

Ele ressalta que, sob este fenômeno, ocorrem muitos dias nublados, as chuvas são mais frequentes, há menor carga de radiação solar, além de menor densidade de radiação solar que chega até a superfície do solo, e isso tudo acaba influenciando o potencial de todas as espécies.

“Neste momento, os problemas ainda são localizados, especialmente não tanto pelas chuvas, mas sim por granizo”, descreve.

Cunha esclarece que ainda é prematuro avaliar o impacto das chuvas nas lavouras, que estão em estágio de inicial a intermediário, ainda que as situações mais problemáticas são as áreas atingidas por granizo.

“Estas lavouras devem ser bem avaliadas se ainda há alguma chance de recuperação, porque dependendo do nível de dano causado pelo granizo, não há condição econômica e viabilidade da continuidade”, lembra.

“Isso precisa ser bem avaliado pelas áreas de assistência técnica para que o produtor rural possa tomar uma decisão se leva adiante essas lavouras atingidas pelas granizadas ou não”, complementa.

“A canola é uma cultura em geral fomentada pelas empresas e elas têm as orientações específicas de manejo, diferentemente de outras culturas.”

Áreas com melhor drenagem

O pesquisador esclarece ainda que o cultivo da canola é majoritariamente concentrado na Metade Norte do Estado, como nas regiões Noroeste e Centro, que são ambientes menos sujeitos a alagamentos intensos.

“Os solos do Norte do Estado, de Centro e Noroeste, onde concentra a maior área cultivada com canola, são solos de boa drenagem. Dificilmente esse problema do excesso hídrico pode acontecer. Agora em áreas mais perto de cursos d’águas, em baixadas que são sujeitas a alagamento, sim, pode haver problema”, avalia.

“Naquelas áreas que ficaram alagados ou podem ficar muitos dias sob a condição de alagamento, isso é prejudicial à cultura.”

Polinização ameaçada

Cunha ainda considera ser muito cedo avaliar se a grande safra de canola prevista para este inverno, estimada pela Emater/RS-Ascar em mais de 570 mil toneladas, o dobro do volume colhido em 2025, será comprometida.

“A continuidade das chuvas, a frequência de muitos dias com chuva podem dificultar, principalmente, a presença de polinizadores no campo e isso acaba afetando em algum nível o potencial de rendimento dessa espécie”, esclarece.

Afinal, ressalta ele, se espera um impacto maior do El Niño a partir da primavera, não necessariamente já agora em agosto.

“Se os dias de chuva continuarem acontecendo com muita frequência, acaba diminuindo muito a atividade dos insetos polinizadores no campo, que são importantes na questão do rendimento da canola”, alerta.

“Então, tudo que acontecer daqui para a frente com o clima é que efetivamente vai definir (as consequências na produção)”, projeta.

Fonte: Correio do Povo

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