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Exportação brasileira recorde de frutas e RS se destaca na maçã

Estado representou quase 80% das vendas do produto que foi o sétimo mais embarcado pelo país no primeiro semestre

Rio Grande do Sul foi responsável por 33 mil das 42 mil toneladas exportadas de maçã
Rio Grande do Sul foi responsável por 33 mil das 42 mil toneladas exportadas de maçã
Foto : Fábio Ribeiro dos Santos / Embrapa / Divulgação / CP

As exportações brasileiras de frutas frescas foram recorde no primeiro semestre, tanto em valor quanto em volume. Segundo o Radar Agro Balança comercial – Frutas Exportações, elaborado pela consultoria Agro Itaú BBA e baseada em dados do Comex Stat, os embarques somaram 619 mil toneladas entre janeiro e junho, com receita de US$ 709 milhões, incremento de 21% sobre o mesmo período de 2025, enquanto as importações permaneceram praticamente estáveis, em US$ 476 milhões, crescimento de 4%.

Já em 2025 embarques alcançaram US$ 1,45 bilhão, recorde pelo terceiro ano consecutivo, com crescimento de 12% em valor e 19,6% em volume em relação ao ano anterior.

O resultado do primeiro semestre deste ano foi impulsionado principalmente pelo desempenho da manga, além do bom avanço de melancia, limões e limas, melões e da recuperação das exportações de maçã.

Em termos de receita, manga, limões e limas e melões lideraram o ranking, com US$ 142 milhões, US$ 105 milhões e US$ 98 milhões respectivamente. A manga permaneceu na liderança da pauta exportadora brasileira, com crescimento de 42% em receita e 38% em volume, reforçando a relevância do Vale do São Francisco (Bahia/Pernambuco) para o comércio externo de frutas.

Entre os demais destaques do período, os abacates registraram um dos avanços mais expressivos: expansão de 73% em receita, para US$ 67 milhões, e 93% em volume.

“O resultado foi favorecido pela expansão da produção nacional, pela entrada em produção de novos pomares e pela crescente orientação da cadeia ao mercado externo, especialmente da variedade Hass (avocado), que apresenta características mais adequadas para exportação de longa distância”, destaca o relatório.

O documento também menciona a expansão significativa da maçã, a sétima fruta mais exportada, com o aumento de 223% em receita sobre o ano passado, para US$ 44 milhões, e 225% em volume, “refletindo a recuperação da oferta após os problemas produtivos observados em safras anteriores.”

RS domina na maçã

E na maçã, destaque ao Rio Grande do Sul, que já exportou neste ano 33 mil toneladas de um total de 42 mil toneladas da fruta embarcadas pelo país. Ou quase 80% dos negócios internacionais foram efetuados pelo Estado. O volume gaúcho se destaca porque em razão das intempéries climáticas nos últimos quatro anos.

Houve queda média no potencial produtivo de 50% no Estado, que assim enfrentou dificuldades para atender ao mercado externo, e os embarques foram de 11 mil toneladas no ano passado e em 2024, e 30 mil em 2023 e 2022. As informações são de o Adriano Telles, vice-presidente de Comercialização da Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi).

Atualmente entre os principais mercados da maçã brasileira está a Índia, com fatia de quase 50% das exportações do Rio Grande do Sul. Assim como os países do Oriente Médio Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, sendo que para este último, a Guerra no Oriente Médio tem prejudicado o fluxo pelas interrupções do tráfego no Estreito de Ormuz, enquanto para o mercado saudita o envio se dá pelo Canal de Suez.

E em razão de outra guerra, ente Rússia e Ucrânia, o mercado russo, que já foi o principal para a maçã brasileira, perdeu totalmente a relevância, ainda que tenham sido retomadas algumas negociações. E ainda a ressaltar Bangladesh, mas que perdeu importância recente em razão dos problemas de oferta gaúcha, e União Europeia.

Segundo semestre promissor

Conforme a análise da Itaú BBA, são positivas as perspectivas para o segundo semestre para as vendas brasileiras.

“Este é tradicionalmente o período de maior concentração dos embarques para o exterior, com manga, uva, melão e melancia entrando em suas principais janelas de exportação. A combinação entre sazonalidade favorável, demanda internacional consistente e maior disponibilidade de frutas em importantes polos produtores tende a sustentar o ritmo das exportações nos próximos meses”, projeta.

“Do lado comercial, o cenário também apresenta oportunidades relevantes. Com o novo anúncio tarifário dos Estados Unidos, uva, melão e melancia não aparecem explicitamente entre os itens excluídos da tarifa. Ainda assim, os possíveis impactos sobre melão e melancia tendem a ser limitados, dada a baixa participação do mercado norte-americano em seus embarques”, acrescenta.

Já quanto à uva, a análise é que embora mais exposta aos EUA, a fruta registrou redução daa dependência americana durante o ano passado e vem ampliando sua presença em outros mercados, especialmente na Europa, o que favorece a diversificação dos destinos de exportação.

“Além disso, o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia tende a fortalecer a competitividade das frutas, com eliminação imediata das tarifas para a uva e redução gradual para as demais”, descreve.

“Por outro lado, o acordo também amplia gradualmente o acesso de frutas europeias ao mercado brasileiro, aumentando a concorrência principalmente para frutas de clima temperado. Ainda assim, o efeito tende a ser mais positivo para a fruticultura brasileira, dada a relevância da Europa como destino das exportações nacionais.”

Novos mercados

E em paralelo, o setor continua avançando na abertura de novos mercados, especialmente na Ásia.

“A diversificação de destinos ganha importância em um contexto de crescimento do consumo de frutas na região e menor dependência dos mercados tradicionais. A expectativa é que Ásia e Oriente Médio ampliem gradualmente sua participação nas exportações brasileiras nos próximos anos, complementando a forte presença já conquistada pela Europa”, ainda prevê a Itaú BBA.

No semestre, os Países Baixos foram o principal destino, com 41% dos negócios, à frente de Reino Unido (14%), Espanha (12%), Estados Unidos (6%) e Portugal (5%).

Principais embarques – em US$

  • 1º – Mangas: US$ 143 milhões
  • 2º – Limões: US$ 105 milhões
  • 3º – Melões: US$ 98 milhões
  • 4º – Outras (prep. ou cons.): US$ 82 milhões
  • 5º – Abacates: US$ 67 milhões
  • 6º – Melancias: US$ 58 milhões
  • 7º – Maçãs: US$ 44 milhões
  • 8º – Mamões: US$ 41 milhões
  • 9º – Uvas: US$ 20 milhões
  • 10º – Outras (congeladas): US$ 15 milhões

Fonte: Correio do Povo

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