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Chuvas no RS: veja como salvar animais de produção em caso de enchente

Médica-veterinária orienta planejar rotas de fuga e estocar comida em local alto como medidas para salvar vidas

Quando não dá tempo de tirar todo o rebanho, é preciso soltar os animais imediatamente
Quando não dá tempo de tirar todo o rebanho, é preciso soltar os animais imediatamente
Foto : JG Martini / Febrac / CP

Com o registro de grande volume de chuvas e aumento de níveis de rios no Rio Grande do Sul, é importante pensar em prevenção para salvar a vida de animais de produção. A médica-veterinária e assessora técnica do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul (CRMV-RS) Mariangela Allgayer, orienta mapear áreas altas e abrir rotas de fuga, além de outros cuidados.

“Reforçar cercas para criar corredores largos. Estocar ração, feno e água limpa em local elevado. Identificar cada animal com brinco ou marca. Isso é o que permite localizar e reunir o rebanho depois”, diz.

Em casos onde a água sobe com rapidez deve-se priorizar os animais mais frágeis, como filhotes, matrizes, animais doentes e reprodutores, como explica Mariangela. “Conduzir os animais por rotas pré-definidas para terrenos elevados, usando mangueiras móveis para formar corredores e manter caminhões e reboques prontos com combustível. Quando não dá tempo de tirar todo o rebanho, é preciso soltar os animais imediatamente. Abrir as porteiras e até cortar cercas. Um animal solto tem muito mais chance de sobreviver nadando ou achando um lugar alto por conta própria do que preso. Remover cabrestos e correntes, e abrir baias para os equinos saírem sozinhos.”

Após a inundação, o produtor deve oferecer água limpa, descartar toda a ração, silagem e feno que tiverem contato com a água contaminada da enchente, que contém esgoto, bactérias e terra, para evitar intoxicação. A médica-veterinária alerta: os riscos de leptospirose (transmitida pela urina de ratos na água), botulismo (ração contaminada), pneumonia, verminose e problemas nos cascos (pododermatite), são altíssimos. Em equinos, especialmente, o estresse e a dieta alterada podem causar cólica e laminite, doença grave que pode ser irreversível.

Para identificar rapidamente sinais de estresse ou doenças nos animais é preciso observação. “Ver se o animal está isolado do grupo, comendo pouco, respirando ofegante ou com as orelhas caídas. Puxar a pele do pescoço, se demorar a voltar, é sinal de desidratação. Medir a temperatura, febre indica afecção. Fezes líquidas ou sangue na urina também são sinais de alerta”, instrui.

Animais domésticos

Para animais domésticos, os cuidados preventivos são semelhantes. Não é recomendado mantê-los presos em correntes ou canis. Além disso, pode ser útil identificar o animal, escrevendo o nome, telefone e cidade do responsável legal em etiquetas ou coleiras.

“O segredo para salvar animais em enchentes é agir antes. Planejar rotas de fuga, estocar comida e água em local alto, e identificar cada animal. Quando não há tempo, soltar é melhor que manter preso. Depois da água baixar, o cuidado maior é com água limpa e ração não contaminada, a maioria das doenças vem daí”, explica Mariangela.

Fonte: Correio do Povo

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