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Incêndios na Amazônia caíram a mínimo histórico em 2025

Resultado é inédito desde início dos registros em 1985

Registros de 2024 tiveram piora em meio a seca
Registros de 2024 tiveram piora em meio a secaFoto : Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil / CP

Os incêndios na Amazônia brasileira caíram ao menor nível da série histórica em 2025, após terem atingido o maior patamar no ano anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira (21) pela rede de monitoramento ambiental MapBiomas. O resultado, inédito desde o início dos registros, em 1985, representa uma boa notícia para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a menos de três meses das eleições em que buscará a reeleição.

A maior floresta tropical do mundo enfrentou uma situação crítica em 2024, quando 15,8 milhões de hectares foram queimados em meio a uma seca histórica que favoreceu a propagação do fogo. Na maior parte dos casos, os incêndios tiveram origem em atividades humanas.

O Relatório Anual do Fogo, elaborado pelo MapBiomas, mostra que o cenário mudou em 2025. A Amazônia registrou 3,1 milhões de hectares queimados, a menor área afetada desde o início do monitoramento por satélite realizado pela rede, que reúne universidades, organizações não governamentais e empresas de tecnologia.

Em todo o Brasil, o balanço também foi positivo. A área queimada somou 12,7 milhões de hectares, o menor índice registrado desde 2018. A preservação da Amazônia é considerada estratégica no combate às mudanças climáticas, já que a floresta desempenha papel fundamental na absorção de gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento global.

A coordenadora do relatório do MapBiomas, a geógrafa Ane Alencar, afirmou que a redução dos incêndios na Amazônia foi um resultado “fora da curva” em 2025.

Segundo a especialista, o atraso do período chuvoso entre 2024 e 2025 impediu a formação da “janela ideal” para a realização de queimadas em algumas regiões, onde o fogo costuma ser utilizado para limpar áreas agrícolas.

Além das queimadas em pastagens não autorizadas ou mal manejadas, persistem práticas ilegais, como o uso do fogo para desmatar áreas destinadas ao garimpo ilegal.

De acordo com Alencar, a queda dos incêndios também foi favorecida pela redução significativa do desmatamento, o que diminuiu as fontes de ignição. Ela acrescentou que houve ainda um “fator psicológico” entre comunidades afetadas pelos incêndios descontrolados de 2024. O receio de que uma situação semelhante voltasse a ocorrer contribuiu para um controle maior do uso do fogo.

O relatório destaca que a redução dos incêndios em 2025 “interrompe uma sequência de anos de expansão do fogo e devolve o país a um patamar historicamente mais baixo de área queimada”.

Apesar do avanço na Amazônia, o Cerrado, segundo maior bioma brasileiro e considerado a savana mais biodiversa do mundo, manteve níveis de queimadas semelhantes aos registrados em 2024, alertou Ane Alencar.

A especialista também chamou atenção para a possibilidade da ocorrência de um “super El Niño” neste ano. Segundo ela, o fenômeno climático pode prolongar o período de seca e aumentar o risco de incêndios florestais.

Além da redução das queimadas, a Amazônia registrou a menor taxa de desmatamento da última década no primeiro semestre de 2026, segundo dados oficiais.

Fonte: Correiodo Povo

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