Recursos, rede de apoio ou segurança alimentar são fatores que afetam o ensino

Foto : Marcello Casal Jr / Agência Brasil / CP
Trancar a matrícula ou desistir dos estudos para atender e cuidar dos filhos é problema que atinge mais da metade (54,4%) dos estudantes (homens e mulheres) de graduação. E em pós-graduação, afeta 36,4%. Os dados integram o levantamento do Grupo de Trabalho da Política Nacional de Permanência Materna nas Instituições de Ensino Superior Brasileiras, vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
Dos mais de 7,4 mil participantes do estudo, 86,5% informaram serem mães que buscam obter o diploma universitário por meio da graduação. Nesse nível de ensino, a média de idade é de 33 anos; e os estudantes assistem às aulas presencialmente (92,8%) e no período noturno (43,3%) ou integral (29,6%).
O trabalho também permite identificar o perfil dominante desse público na graduação: são pessoas solteiras (46%), negras (pretas e pardas, 60,2%), de instituições públicas federais (79,5%), têm um filho (59,6%), vivem com 3 pessoas (39%) e com até um salário mínimo (24,6%).
A falta de rede de apoio é uma das preocupações em relação à permanência no ensino. Para 32,9% dos graduandos, lidar com o dia a dia exaustivo é uma tarefa solitária, já que não contam com o suporte de ninguém. Além disso, uma parcela pequena (5,9%) tem condições de contratar serviços com essa função, como babás. Outros 7,5% recorrem a serviços públicos; e menos de 1% encontra ajuda por meio de organizações não governamentais (ONGs) e via projetos comunitários.
Outro fator indicado é a segurança alimentar dos filhos dos estudantes. Mais da metade dos graduandos com filhos (51,0%) e de pós-graduação (49,3%) declararam que as crianças não têm direito à alimentação nos Restaurantes Universitários (RUs). Entre quem tem acesso, 7,1% na graduação; e 2,9% na pós-graduação, informaram ser gratuito. Mas os pesquisadores alertam como dado preocupante o elevado número de estudantes que disseram não saber se os seus filhos(as) têm esse direito (30,3% na graduação; e 38,0% na pós-graduação), o que sugere ausência de informação clara das instituições de Ensino.
Acesso a mais informações e ao estudo completo através deste link.
Renda
- A taxa de alunos de graduação vivendo sem nenhum rendimento é de 16,1%. A dos que recebem até meio salário mínimo é 14,5%. E 2,5% relataram renda acima de 10 salários mínimos.
- O levantamento aponta uma situação econômica melhor entre os estudantes de especialização, mestrado e doutorado, onde a proporção dos que sustentam suas famílias com até meio salário mínimo cai para 1,1%.
Fonte: Correio do Povo