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Exportações de arroz aliviam oferta interna e possibilitam a recuperação dos preços

Embarques, que cresceram mais de 80% no primeiro semestre e devem fechar em 2 milhões de toneladas no ano, melhoraram liquidez dos produtores

A balança comercial do cereal registrou superávit de aproximadamente 400 mil toneladas de janeiro a junho
A balança comercial do cereal registrou superávit de aproximadamente 400 mil toneladas de janeiro a junho
Foto : Divulgação / CP

As exportações de arroz no primeiro semestre contribuíram para reduzir a pressão de oferta no mercado interno e criaram condições para uma recuperação gradual dos preços pagos aos produtores. A avaliação é do presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes.

Segundo o dirigente, o volume embarcado entre janeiro e junho cresceu mais de 80% em relação ao mesmo período de 2025, um dos melhores desempenhos já registrados para o setor.

“O forte ritmo das exportações deu liquidez aos produtores, que puderam direcionar parte da produção ao mercado externo, evitando uma oferta excessiva no mercado doméstico”, analisa Nunes.

O dirigente também destaca que os mecanismos de apoio ao escoamento contribuíram para melhorar a remuneração da saca.

Apesar do avanço expressivo nas vendas externas, a receita obtida foi menor do que a registrada no ano passado em razão da queda dos preços internacionais.

“Os primeiros embarques de 2025 foram negociados com valores superiores a R$ 90 por saca, enquanto neste ano os preços ficaram na faixa dos R$ 60, representando uma redução próxima de um terço”, compara.

Em relação aos destinos das exportações, Nunes afirmou que os principais mercados permaneceram praticamente os mesmos, mas destacou o crescimento da participação da Venezuela entre os compradores de arroz em casca brasileiro.

“Havia preocupação de que mudanças no cenário político venezuelano pudessem alterar o fluxo comercial, hipótese que não se confirmou. Pelo contrário, o mercado se consolidou e apresentou maior segurança para as negociações”, avalia.

Superávit

O presidente da Federarroz também ressaltou que o comércio exterior vem absorvendo parte importante da produção disponível. No primeiro semestre, a balança comercial do arroz registrou superávit de aproximadamente 400 mil toneladas.

“A nossa expectativa é de que o Brasil alcance cerca de 2 milhões de toneladas exportadas ao longo de 2026, com um dos maiores saldos comerciais dos últimos anos”, projeta.

Para Nunes, esse movimento já começa a refletir no mercado interno. “Os preços iniciaram um processo de recuperação e a tendência é de continuidade da valorização nos próximos meses, resultado do trabalho realizado para ampliar o escoamento da safra durante o primeiro semestre”, aposta.

Em relação ao segundo semestre, o dirigente projeta um cenário mais favorável para a cadeia produtiva do arroz.

“A evolução dos preços dependerá, principalmente, do comportamento da safra norte-americana e da produção nos países asiáticos, que já sofrem influência do fenômeno El Niño”, conclui.

Fonte: Correio do Povo

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