A situação contradiz a declaração da presidente interina, Delcy Rodríguez, que havia assegurado que todas as vítimas seriam devidamente identificadas

Foto : Miguel Medina/AFP/CP
Mais de 150 corpos sem identificação foram enterrados na Venezuela, após os sismos que sacudiram o País em 24 de junho, constataram jornalistas da AFP neste domingo, 5. Em uma área afastada do cemitério La Esperanza, no estado de La Guaira, o mais afetado pelo duplo terremoto, coveiros começaram a cavar valas individuais no dia seguinte dos tremores, disse à AFP Eli Zavala, morador da região, que participa dos trabalhos. Os sepultamentos evidenciam a grave crise pós-desastre e a complexa busca por desaparecidos. Além disso, a situação contradiz a declaração da presidente interina, Delcy Rodríguez, que havia assegurado, em recente entrevista coletiva, que todas as vítimas seriam devidamente identificadas
“Eu, desde o início, disse: ninguém vai para vala comum”, declarou Delcy em coletiva de imprensa. “A primeira coisa é o reconhecimento por impressão digital’, afirmou, ou por fotografia, e “nos casos em que isso não foi possível, recorremos à arcada dentária forense”.
O governo venezuelano não informou números de pessoas desaparecidas, embora as Nações Unidas estimem que possam chegar a 50 mil.
A situação tem causado revolta entre os venezuelanos pela demora na recuperação dos corpos, enquanto muitas famílias ainda buscam seus desaparecidos após a tragédia.
Passados 13 dias após os terremotos, já são contabilizados na região mais de 3.000 mortos.
Cada enterro é marcado por um pequeno buquê de flores aos pés de uma austera cruz branca, com uma placa com a inscrição “Identificação especial” e a data do falecimento, 24 de junho de 2026. Este cenário se insere em um contexto de colapso na Venezuela, onde os desafios humanitários se intensificam.
Fonte: Correio do Povo