Fenômeno já se formou no Pacífico, devendo se intensificar rapidamente nos próximos meses e continuar ganhando força até novembro

Foto : Joseani Antunes / Embrapa Trigp / Divulgação / CP
O El Niño deve se intensificar com um “episódio forte” entre julho e setembro, o que aumenta a probabilidade de ondas de calor, secas e chuvas intensas em grande parte do mundo, alertou a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira (3). O fenômeno climático natural aquece as temperaturas na superfície do Oceano Pacífico equatorial central e oriental, provocando mudanças globais nos ventos, na pressão atmosférica e nos padrões de precipitação.
“Já se observam condições características de um episódio de El Niño, e a previsão é de uma intensificação rápida até se tornar um episódio forte”, disse a secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, no boletim climático sazonal que a agência da ONU publica a cada mês. O relatório indica que já há condições de El Niño no Pacífico tropical.
Segundo a OMM, as previsões dos principais centros do mundo alertam para um aumento constante e significativo das temperaturas oceânicas no centro e leste do Pacífico equatorial.
“Esperamos que as anomalias médias sazonais da temperatura da superfície do mar ultrapassem 2ºC em regiões cruciais de monitoramento”, adverte a agência.
Como os modelos de previsão coincidem, o nível de confiança nas projeções é elevado, segundo a OMM. O fenômeno El Niño deve continuar ganhando força de setembro a novembro, acrescenta a agência.
Temperaturas altas
A probabilidade de que as temperaturas superem a média na maioria das regiões continentais e em quase todas as áreas habitadas fora das regiões polares é extremamente elevada, explica o boletim. Também estão previstas mais chuvas que o normal no centro e leste do Pacífico equatorial, e menos que o normal em algumas áreas do Oceano Índico tropical, do subcontinente indiano e em grande parte da Austrália.
Além disso, precipitações abaixo do normal estão previstas para o Caribe, o noroeste da América do Sul e algumas regiões da América Central, enquanto o sudoeste dos Estados Unidos deve registrar condições mais úmidas que o habitual. Para a Europa, a projeção indica um contraste norte-sul, com mais precipitações no sul e menos no norte, mas as previsões são consideradas menos confiáveis para o continente do que em outras regiões.
A OMM afirma que mesmo um El Niño moderado torna alguns eventos climáticos extremos mais prováveis. O último El Niño contribuiu para que 2023 fosse o segundo ano mais quente já registrado, e 2024, o ano com a temperatura mais alta de todos os tempos, em torno de 1,55°C, acima da média pré-industrial de 1850-1900.
Fonte: Correio do Povo